EXU
Exu (em iorubá: Èṣù) é o orixá da comunicação e da linguagem: assim, atua como mensageiro entre os seres humanos e as divindades, (dentre outras muitas atribuições). É cultuado no continente africano pelo povo iorubá, bem como em cultos afro-descendentes, como no candomblé baiano, no tambor de mina maranhense, dentre outros. Apesar do nome idêntico, não deve ser confundido com os exus da Umbanda (também chamados "exus catiços"), que possuem cosmologia diferente.
Exu, Orixá da comunicação, do movimento e da sexualidade. Pais: Olodumare
Irmãos: Ogum e Oxóssi. Instrumento: ogó (bastão com cabaças). Sincretismo: São Miguel e São Pedro, Santo Antônio e São Gabriel, São Bartolomeu.
No Brasil, Exu é percebido como um orixá de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-lo de maneira coerente. No candomblé, Exu é o orixá mensageiro, um ser intermediário entre seres humanos e divindades: por essa razão, nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas antes de qualquer outro orixá.
No Brasil, Exu é muito conhecido como o "orixá do lado de fora", como guardião da parte exterior dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. Também está intimamente ligado aos caminhos e, especialmente, às encruzilhadas.
Exu também está ligado à sexualidade e fertilidade masculinas. O caráter sexual de Exu é menos pronunciado do que o de Lebá (vodum daomeano com características e atribuições semelhantes), mas suas estatuetas mais antigas apresentam caráter fálico muito acentuado.
Na nação angola, Exu recebe o nome de Aluvaiá ou Pombajira. No candomblé jeje é chamado Lebá.
A ambivalência é a marca registrada da personalidade de Exu no Brasil. É visto como o mais humano dos orixás: nem completamente mau, nem completamente bom. Possui caráter irascível, astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente e que gosta de suscitar dissensões e disputas quando não devidamente propiciado.
Os filhos de Exu são pessoas que possuem personalidade e caráter ambíguos, não obedecendo aos conceitos que a sociedade aceita como normais. São vistos como matreiros, brincalhões, moleques, animados, espertos e de pensamento ágil. Às vezes tornam-se insolentes e desrespeitosos, porque não ligam para as convenções sociais.
Características gerais:
Dia da semana: segunda-feira.
Elementos: fogo ou terra;
Símbolo: ogó (bastão de madeira em formato fálico)[2];
Cores: vermelho e preto.
Bichos: cabritos, galos, preás, igbin;
Saudação: Laroiê!
Representação africana do orixá Exu no Museu de Arte de São Paulo
Na África, como no Brasil, Exu exerce as funções de mensageiro mensageiro e intermediário entre os seres humanos e as divindades; associado, assim, com as encruzilhadas. Também entende-se Exu como o orixá da ordem, do equilíbrio, da organização e da disciplina, possuindo forte relação com orixá Orunmilá. Teria ainda recebido de Olodumarê a função de guardião do axé.
No continente africano, Exu não é compreendido nem cultuado como um orixá maligno, e sim "neutro como o próprio axé".
Em Cuba, é chamado de Elebará, Eleguá. É uma das deidades da religião ioruba. Na santería, é sincretizado com o Santo Niño de Atocha ou com Santo Antônio de Pádua. É o porteiro de todos os caminhos, da montanha e da savana, é o primeiro dos quatro guerreiros junto a Ogum, Oxum e Oxóssi.
Tem 201 caminhos, suas cores são o vermelho e o preto e seus números são 3 e 7. É o comunicador e Ifá lhe deu quatro búzios para falar com ele. Ele está presente no início da vida e na hora da morte.
No vodu haitiano, é chamado de Papa Lebá e Petro, Maitre Carrefour ("dono da encruzilhada"). É o intermediário entre os loás e a humanidade. Está em uma encruzilhada espiritual e dá (ou nega) permissão para falar com os espíritos de Guinee, e acredita-se que fale todos os idiomas humanos. Ele é sempre o primeiro e o último espírito invocado em qualquer cerimônia.
Na República Dominicana, é cultuado como vodum Lebá, e, em Trindade e Tobago, como Exu.
Exu recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com suas qualidades: Elebá ou Elebará, Bará ou Ibará, Alaqueto, Abô, Odará, Aquessã, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabô, Iangi, Baraqueto (guardião das porteiras), Lonã (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimônia do padê).
Na África na época da colonização europeia, ainda no século XVI, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e à forma como é representado no culto africano. Por ser provocador, indecente, astucioso e sensual, é comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um equívoco, de acordo com a construção teológica iorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal.
Mesmo porque, nessa religião, não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins, como ocorre no cristianismo, segundo o qual tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso por Deus. Na mitologia iorubá, porém, assim como no candomblé, cada uma das Divindades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
"Sobre Exu, além de suas atribuições mais conhecidas, embrenhamo-nos em uma de suas mais complexas e poderosas qualidades – como O Guardião do Axé – que, recebendo a réplica desta força neutra de Olodumarê (Fálàdé, 1998, p. 494), coloca-a à disposição de todos, seja para os homens ou para os orixás, confirmando que Exu de mal ...., nada tem ...,mas ao contrário, apenas age com justiça. [10][15] Suas ações para com os seres humanos são altamente benéficas, auxiliadoras e produtivas para aqueles que fazem uso adequado de seu livre-arbítrio e que, com retidão, se portam de maneira condigna para com os princípios e padrões morais e religiosos, seja em relação a si mesmo, seja em relação ao meio ambiente em que vive.
Recordando uma frase citada: "(...) Isto acontece por que algumas pessoas erroneamente possuem a convicção que Eṣu é o opositor Satanás (Fálàdé, 1998, p. 493)" e que, além disso, o que faz com que os sacerdotes sejam bons ou maus não é o simples fato de administrar o Axé, e sim a forma que deliberadamente usam este Axé, podemos dizer que isto é uma questão humana de caráter, e nada tem a ver com o poder divino do Axé. O que podemos dizer de Exu, que recebeu e administra a cópia do próprio Àṣẹ de Olódùmarè? Exu é igualmente neutro como o próprio Axé, por isso é o guardião do Axé.
Como Odará recebe, como Elebará, faz acontecer, e como Ojixé (Òjíṣé). conduz o retorno. Tudo isso é "Exu – Olodumarê assim determinou." (Abimbola, 1975, p. 3) Será que ele é tão terrível e mau quanto querem dele fazer? Como ele pode ser tão temível se é tão neutro como o Axé? Quando narramos o Odù Iwori-Ofun (Bascom, 1969, pp. 310-311), vimos que simplesmente Exu cumpriu seus desígnios de forma imparcial.
As explanações aqui realizada efetivamente enalteceram Exu, porém, cabe tecer algumas considerações sobre a absurda questão, mesmo por sincretismo, de que o Exu seja o diabo das religiões cristãs e/ou o mal absoluto tratado pelas religiões ocidentais, que diferem totalmente dos conceitos da religião dos orixás (orixaísmo) (Barretti Fº, 2010), praticada na chamada Iorubalândia e nas descendentes da diáspora.
Que fique registrado que a religião dos prixás, praticada em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão e a Torá. Para os orixaístas, trata-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.
O orixaísmo oriundo da tradição oral, portanto ágrafa, apesar de já contar com muitos escritos, reconhece apenas a "oralidade" dos Itã-Odu, os Itã-Mimo- Oxá (Ìtán-Mimó Òòṣà; histórias sagradas dos orixás) como o único "livro ou fala sagrada" a serem adotadas e que também reconhece os ditames do corpo "literário" do oráculo de Ifá, os Odu Ifá, cujo governo pertence à divindade Orumilá, portador de imensa sabedoria e conhecido como Ibiqueji Olodumarê (Ibìkejì Olódùmarè; a segunda pessoa de Olodumarê).
Conceitos religiosos europeus e asiáticos não faziam parte das tradições iorubás antes das colonizações, nem das religiões dela descendentes na diáspora, tampouco antes dos senhores de escravos imporem aos africanos o catolicismo, entre outras religiões.
As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")
Conceitos cristãos como os de alma, céu, inferno e purgatório encontraram terreno fértil para se propagar nas já contaminadas tradições iorubás e de suas descendentes, seja por missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e religião dos iorubás, escritos e interpretados pela ótica do colonizador e/ou opressor. E o pior, os registros decorrentes dessas interpretações (que até hoje continuam) criaram "falsas" tradições, que se tornaram "verdades literárias inquestionáveis" e vitimam a religião iorubá até hoje. (Conferir em: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Os Autores)
Um fato muito importante e que deveria ser totalmente condenável é que sempre que se estuda ou se faz pesquisa no campo das religiões comparadas, os parâmetros e os referenciais são sempre os do cristianismo, islamismo e outras religiões aplicados à religião tradicional dos iorubás. A recíproca, infelizmente, nunca é verdadeira, pois, se assim o fosse, teríamos inúmeras e novas variáveis a serem avaliadas, para o bem da religião tradicional iorubá e de suas descendentes."
OXALÁ
Oxalá é a grafia de duas palavras homônimas e homógrafas de significados diferentes. Um tem origem árabe, da expressão "'in sha' Allah", cujo significado é “se Deus quiser”, e que é utilizada como interjeição para expressar o desejo que algo aconteça – nesse sentido, é sinónimo de "tomara" ou "queira Deus". Em castelhano teve desenvolvimento semelhante e deu origem à palavra ojalá, exatamente com o mesmo significado de oxalá em galego e português.
O outro vem do iorubá Òrìsànlá, nome de um orixá também conhecido como Obatalá. "Oxalufã", "Oxaguiã" e "Obatalá" são termos procedentes da língua iorubá.
Oxalá no Candomblé
Oxalá, Orixalá, Orixaguinã, Gunocô ou Obatalá é o orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de várias maneiras (qualidades) sendo as duas principais qualidades: a forma jovem, em que Oxalá é chamado de Oxaguiã e seus símbolos são uma idá (espada), um pilão de metal branco e um escudo. Na sua forma idosa, Oxalá é chamado Oxalufã e seu símbolo é um cajado de metal chamado opaxorô.
A cor de Oxaguiã é o branco levemente mesclado com azul no candomblé e somente branco no batuque do Rio Grande do Sul; a de Oxalufã é somente branco de gossa em ambos. O dia consagrado para oxalá moço é a sexta-feira e o domingo para oxalá velho e oxalá de orumilaia. Sua saudação é èpao, èpa bàbá! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os orixás do panteão africano. Simboliza a paz, é o pai maior nas nações das religiões de tradição africana. Oxalá significa luz (oxa) branca (alá); É calmo, sereno, pacificador; é o criador e, portanto, é respeitado por todos os orixás e todas as nações. A Oxalá pertencem os olhos que veem tudo.
Lenda: Oxalá e o saco da criação
Olodumarê entregou a Oxalá o saco da criação para que ele criasse o mundo. Essa missão, porém, não lhe dava o direito de deixar de cumprir algumas obrigações para outros Orixás e Exu, aos quais ele deveria fazer alguns sacrifícios e oferendas. Oxalá pôs-se a caminho apoiado em um grande cajado, o Paxorô. No momento em que deveria ultrapassar a porta do Orum, encontrou-se com Exu que, descontente porque Oxalá se negara a fazer suas oferendas, resolveu vingar-se, e provocou-lhe uma sede intensa. Oxalá não teve outro recurso senão o de furar a casca de um tronco de um dendezeiro para saciar sua sede.
Era o vinho de palma, também conhecido como emu e oguro, o qual Oxalá bebeu intensamente. Bêbado, não sabia onde estava e caiu adormecido. Apareceu, então, Alafim Odudua, que, vendo o grande orixá adormecido, roubou-lhe o saco da criação e, em seguida, foi à procura de Olodumarê para mostrar o que achara e contar em que estado Oxalá se encontrava. Olodumarê disse, então, que "se ele está neste estado, vá você a Odudua, vá você criar o mundo". Odudua foi, então, em busca da criação e encontrou um universo de água, e aí deixou cair do saco o que estava dentro. Era terra. Formou-se então um montinho que ultrapassou a superfície das águas.
Então ele colocou a galinha cujos pés tinham cinco garras. Ela começou a arranhar e a espalhar a terra sobre a superfície da água; onde ciscava, cobria a água, e a terra foi alargando cada vez mais, o que em iorubá se diz Ile'nfê, expressão que deu origem ao nome da cidade Ilê-Ifé. Odudua ali se estabeleceu, seguido pelos outros orixás, e tornou-se, assim, rei da terra. Quando Oxalá acordou, não encontrou mais o saco da criação. Despeitado, procurou Olodumarê, que por sua vez proibiu-o, como castigo a Oxalá e toda sua família, de beber vinho de palma e de usar azeite de dendê. Mas como consolo lhe deu a tarefa de modelar no barro o corpo dos seres humanos nos quais ele, Olodumarê insuflaria a vida.
Lenda: A viagem de Oxalufã
Um dia Oxalufã, que vivia com seu filho Oxaguiã, velho e curvado por sua idade avançada, resolveu viajar a Oió em visita a Xangô, seu outro filho. Foi consultar um babalaô para saber acerca da viagem. O adivinho recomendou-lhe não seguir viagem. Ela seria desastrosa e acabaria mal. Mesmo assim, Oxalufã, por teimosia, resolveu não renunciar à sua decisão. O adivinho aconselhou-o, então, a levar consigo três panos brancos, limo-da-costa ou sabão-da-costa, assim como a aceitar e fazer tudo que lhe pedissem no caminho e não reclamar de nada, acontecesse o que acontecesse. Seria uma forma de não perder a vida.
Em sua caminhada, Oxalufã encontrou Exu três vezes. Três vezes Exu solicitou ajuda ao velho rei para carregar seu fardo, que acabava derrubando em cima de Oxalufã. Três vezes Oxalufã ajudou Exu, carregando seus fardos imundos. E, por três vezes, Exu fez Oxalufã sujar-se de sal, azeite de dendê e carvão. Três vezes suportou calado as armadilhas de Exu. Três vezes foi Oxalufã ao rio mais próximo lavar-se e trocar suas vestes. Finalmente chegou a Oió. Na entrada da cidade, viu um cavalo perdido, que ele reconheceu como o cavalo que havia presenteado a Xangô.
Tentou amansar o animal para amarrá-lo e devolvê-lo ao filho. Mas, neste momento, chegaram alguns súditos do rei à procura do animal perdido. Viram Oxalufã com o cavalo e pensaram tratar-se do ladrão do animal. Maltrataram-no e prenderam-no. Ele, sempre calado, deixou-se levar prisioneiro.
Mas, por estar um inocente no cárcere, em terras do Senhor da Justiça, Oió viveu por longos sete anos a mais profunda seca. As mulheres tornaram-se estéreis e muitas doenças assolaram o reino. Xangô, desesperado, procurou um babalaô, que consultou Ifá, descobrindo que um velho sofria injustamente como prisioneiro, pagando por um crime que não cometera.
Xangô correu para a prisão. Para seu espanto, o velho prisioneiro era seu pai Oxalufã. Xangô ordenou que trouxessem água do rio para lavar o rei. O rei de Oió mandou seus súditos vestirem-se de branco, e que todos permanecessem em silêncio, pois era preciso, respeitosamente, pedir perdão a Oxalufã. Xangô vestiu-se também de branco e encarregou Airá de carregar o velho rei nas costas. Levou-o para as festas em sua homenagem e todo o povo saudava Oxalá e Xangô. Depois Oxalufã voltou para casa levado por Airá e, quando chegou seu filho, Oxaguiã ofereceu um grande banquete em celebração pelo retorno do pai.
África
Obatalá, Oxalá, Oxalufã, Oxaguiã e Oxá-Popô, todos eles denominados orixá funfum (Òrìsà funfun; branco), devido à cor que os simboliza, a branca. Obatalá e Odudua são associados de diversas maneiras nos mitos da criação.
Babá Epê
Lejubê
Ajagunã
Oxafuru
Elemosô
Acajapricu
Oxaibô
Indacô
Babá Talabi
Babá Ajalê
Orixá-Lá
Obatalá
Odudua
Oxalufã
Oxaguiã
Ocô
Brasil
Oxalá, Obatalá, Orixalá, Orixa-Nlá. Oxalá é um nome genérico de vários Òrìxá funfun (branco), como são chamados diversos Orixás africanos no Brasil relacionados à cor branca e à criação do mundo. Os filhos de Oxalá têm algumas restrições (euó):
De acordo com as lendas, Oxalá embriagou-se várias vezes com vinho de palma, fato que tornou a bebida alcoólica uma das restrições. Por causa de outra lenda, em que Exu suja suas roupas brancas por três vezes com sal, azeite de dendê e carvão, estes elementos também se tornaram restrição aos filhos de Oxalá. Nenhuma comida de Oxalá leva sal ou dendê. Um filho de Oxalá jamais deverá usar roupas pretas ou vermelhas, por serem essas as cores de Exu. Também em função das lendas, o dia de Oxalá é a sexta-feira.
No candomblé, tanto no Brasil quanto em outros países, todos os iniciados e frequentadores costumam vestir-se de branco em homenagem a Oxalá. Os filhos de Oxalá não comem comida de sal e muitos adotaram não comer carne na sexta-feira (somente peixe). Contudo, também se acredita que esse costume tenha relação com a Igreja Católica e o sincretismo de Oxalá com o Senhor do Bonfim na Bahia, costume também adotado pelos restaurantes em que nas sextas-feiras servem a pescada branca com molho de camarão.
Águas de Oxalá
As águas de Oxalá[1][2] é uma festa anual em homenagem a Oxalá, no Ilê Axé Opô Afonjá. É descrita sem detalhes por Mestre Didi:
Na quinta-feira à noite, antes de se iniciarem os preceitos desta cerimônia, das 7 horas da noite até à meia noite, todos os filhos da casa devem fazer um bori. Em muitas casas essa obrigação tem sido substituída por um obi, para poderem carregar as águas.
Depois desse Bori ou obi, [os filhos da casa] recolhem-se, até que são acordados, antes do nascer do sol pela Ialorixá ou pelo Babalorixá para iniciarem o preceito das águas.
Os filhos do axé, trajados de branco, saem em silêncio do terreiro, em procissão, carregando potes e moringas, tendo à frente a Ialorixá tocando o seu ajá.
No tempo de Mãe Senhora, dirigiam-se para uma fonte chamada Riacho, que fica ao lado da Lagoa da Vovó, nessa roça de São Gonçalo do Retiro. Hoje, essa obrigação é feita dentro do próprio terreiro.
Trata-se de um ato de respeito, um pedido de perdão pelas injustiças ocorridas com Oxalá em sua visita ao Reino de seu filho Xangô (Ver a lenda da viagem de Oxalá ao reino de Xangô, em Airá).
Na parte externa, é feita uma caminhada pelas ruas de Salvador até Igreja do Senhor do Bonfim. Esta grande homenagem é iniciada através de vários rituais iniciados no ano anterior e concretizados no mês de janeiro através da lavagem das escadas da igreja, em homenagem ao Pai Oxalá, chamada de Lavagem do Bonfim.
Não se pode esquecer que a lavagem das escadarias é um ritual criado pelo sincretismo religioso, forçosamente adotado pelos escravos para ocultar seus orixás dos senhores e que Oxalá nada tem a ver com Jesus Cristo, sendo então duas divindades de religiões distintas.
OGUM
Na umbanda, como uma série de entidades, aparece como Beira-Mar/Marinho (quiçá de mariô), Malê, Dilê (Ogum Nile da santeria), Nagô, Iara, Matinata, Metá, Naruê, Oiá, Rompe-Mato, Xoroquê, Megê ou Mejeje. No batuque, como o orixá Avagã.
Religião iorubá
Na religião iorubá, é citado como o primeiro orixá a descer ao reino de Ilê-Aiê ("Terra"), com o objetivo de encontrar uma habitação adequada para a futura vida humana e, consequentemente, recebe o nome de Oriki ou Osin Imole, que significa o "primeiro orixá a vir para a Terra." Foi provavelmente a primeira divindade cultuada pelos iorubás.
Considerado senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia, Ogum era o filho mais velho de Odudua. Este último era o rei fundador da cidade de Ifé, e Ogum assume o título de rei regente da cidade quando seu pai perde momentaneamente a visão.
Arquétipo
De acordo com Pierre Verger, o arquétipo de Ogum é o das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
Representatividade
Por causa deste contexto, compreende-se a popularidade de Ogum. Especula-se que ele tenha sido a primeira divindade cultuada pelos iorubás na África Ocidental; além disso, era um dos deuses em que os escravos africanos recorriam. Os seguidores de Ogum podem jurar a verdade em tribunais "beijando" um pedaço de ferro ou metal, enquanto que os motoristas carregam um amuleto de Ogum para evitar acidentes de trânsito.
Em outras mitologias
Ogum é conhecido no candomblé como o orixá ferreiro. Ele é irmão de Exu, com quem é considerado dono de todos os caminhos e encruzilhadas, e identificado no jogo do merindilogum pelos odus etaogundá, odi e obeogundá, representado materialmente e imaterial através do assentamento sagrado denominado Ibá de Ogum. Já na santeria, ele é um dos quatro orixás guerreiros, representando o solitário hostil que vaga pelos caminhos. Além disso, Ogum é o dono dos montes junto com Oxóssi e dos caminhos, este último junto com Eleguá.
Abril é mês do santo e orixá guerreiro
São Jorge no catolicismo, Ogum na umbanda e Candomblé. 23 de abril é dia de saudar o guerreiro
Dia 23 de abril é dia de saudar o guerreiro valente, que fortalece os seus devotos e os protege dos inimigos. O sincretismo religioso – mistura de religiões – permite que ele seja celebrado tanto pelo catolicismo quanto pelas religiões de matriz africana, com feijoadas, missas, giras e festas. Ele é São Jorge para os católicos e Ogum para os umbandistas e candomblecistas.
Ogum, senhor das batalhas
Na religião africana yorubá, os orixás são como intermediários entre Olórun (Deus) e os seres humanos. Ogum é o orixá de vestes azul e branca ou vermelho e branca, senhor do ferro, da guerra, da agricultura e da tecnologia. Seus filhos costumam pedir força e proteção. As ervas mais ligadas a Ogum são a Abre Caminho, Arruda, Folha de Seringueira e Espada de Ogum (ou São Jorge). Uma das saldações ao Oríxá é Ogum Yê.
OXUM
Oxum (em iorubá: Oṣun), na religião iorubá, é uma orixá que reina sobre as águas doces, considerada a senhora da beleza, da fertilidade, do dinheiro e da sensibilidade. Intimamente associada à riqueza espiritual e material, à vaidade e à capacitação da mulher, é representada por uma mulher africana elegante, adornada da cabeça aos pés com joias de ouro, sentada à beira de um rio, com um espelho redondo e dourado, enquanto amamenta um bebê ao colo. É cultuada no Candomblé, na Umbanda e em diversas religiões afro-americanas. Oxum é dona do ouro e das pedras preciosas, e é cultuada como rainha da nação ijexá. Tem o título de ialodê, ou seja, a grande mãe, entre os orixás.
Oxum, Oloxum, Deusa das Águas Doces, Rainha das Águas Claras, Doce Mãe, Mamãe Oxum, Rainha da Nação Ijexá
Irmã - Iansã
Cônjuges - Xangô, Oxóssi e Ogum
Filho: Logunedé
instrumentos: adê (coroa), abebé (espelho) de mão, obé (espada), ofá (arco e flecha), seixos do rio e pulseiras
Sincretismo
Nossa Senhora da Conceição
Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora dos Prazeres e Nossa Senhora das Candeias
Caracterizações de Oxum: no primeiro plano, Opará; no segundo, Ipondá, no Ilê Axé Ijino Ilu Oróssi
Mitologia
Oxum é filha de Iemanjá e Oxalá. Oxum, Iansã e Obá eram esposas de Xangô. Muitos dizem que Oxum enganou Obá e a induziu a cortar a orelha e colocá-la no amalá de Xangô, criando, com isso, uma grande desavença entre ambas. Mas, pensa-se que Obá apenas cortou sua orelha para provar seu amor a Xangô. Muitos difundiram este mito porque Oxum é a orixá da beleza e da juventude, ao passo que Obá tem mais idade e protege as mulheres dignas, idosas e necessitadas, além de trabalhar com Nanã. Quem afirmar que há uma desavença entre Oxum e Obá e que esta é a menos amada por Xangô está totalmente enganado, porque Obá é aquela mulher que fica ao lado do marido e que mais recebe o amor dele.
Quanto ao fato de algumas qualidades lutarem entre si, não é por causa da "desavença", que nem é verdadeira, e sim porque as qualidades fazem uma representação de conflitos e guerras do tempo em que tais qualidades estavam na Terra. Do mesmo jeito que, se houver uma qualidade de Iansã que, quando viveu na Terra, teve uma guerra com Ogum, quando ambos incorporarem, representarão uma luta entre si, para mostrar que possuíam certa desavença, e um pouco da história do mundo. Vale lembrar que estamos falando dos orixás Obá e Oxum, e não de suas qualidades (caminhos). Os orixás tiveram uma história aqui na Terra, e as qualidades, outra. Então, se Iansã tiver um conflito com Ogum, não podemos dizer que a Iansã (orixá) tem conflito com Ogum (orixá), porque quem tem a desavença são suas qualidades, e não os orixás entre si.
Influências
Na África
O seu nome deriva do Rio Oxum, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu. Identificada no jogo do merindilogum pelos odu ejiocô e oxê, é representada pelo candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado ibá de Oxum.
É tida como um único orixá que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio. As mais velhas ou mais antigas são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Exemplo: Oxum Oxobô, Oxum Opará ou Apará, Ieiê Ipondá, Ieiê Caré, Ieiê Ipetu
Em sua obra "Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns", Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de Oxum são guardados no palácio do rei Ataojá. O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Orixás: "Oxum Oxobô, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo."
Rio Oxum em Oxobô (foto de Alex Mazzeto)
O Festival de Oxum é realizado anualmente na cidade de Oxobô, na Nigéria. o bosque de Oxum-Oxobô, onde se encontra o Templo de Oxobô, é patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura desde 2005.
Brasil
Estátua representando Oxum em Ipanema, em Porto Alegre, no Brasil
Candomblé
Oxum é um orixá feminino da nação Ijexá, adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras. É o orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza. Em Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de "Senhora do Ouro", que outrora era do Cobre, por ser o metal mais valioso da época.
Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais. Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões.
Candomblé Bantu - a inquice Dandalunda, senhora da água e da fertilidade, tem semelhanças com Oxum e Iemanjá.
Candomblé Queto - Divindade das águas doces, Oxum é a padroeira da gestação e da fecundidade, recebendo as preces das mulheres que desejam ter filhos e protegendo-as durante a gravidez. Protege, também, as crianças pequenas até que comecem a falar, sendo carinhosamente chamada de "Mamãe" por seus devotos.
Características
Representação de Oxum no Brasil
Carê - veste azul e dourado, cor do ouro. Usa um abebé e um ofá dourados.
Ipondá - é a mãe de Logunedé, orixá menino que compartilha dos seus axés. Ambos dançam ao som do ritmo ijexá, toque que recebe o nome de sua região de origem. Usa um abebé (espelho de metal) nas mãos, uma alfange (adaga),[6] por ser guerreira, e um ofá (arco e flecha) dourado, por sua ligação com Oxóssi. É uma das mais jovens.
Ieiê Oquê - Qualidade de Oxum que tem fundamentos com o Orixá Oxóssi, Oxoguiã, Iemanjá, essa qualidade de Oxum habita nas montanhas, é uma caçadora noturna companheira de Caré, utiliza um ofá e abebe e um Erukere
Iá Ominibu - Qualidade de Oxum que habita nas nascentes dos rios
Iá Merim - Qualidade de Oxum Vaidosa,dizem que é qualidade da Mãe menininha de Gantois,Conta-se que essa Oxum não toma a cabeça de seus filhos na idade madura tem ligação com Ewá
Ajagurá - Qualidade de Oxum Guerreira nova e agitada,dona dos Icodinés, tem fundamentos com Xangô,carrega um alfange e abebe
Ijimu - Qualidade de Oxum de caráter mais velho muito feiticeira,com grande ligação com as Iamis, muito poderosa tem fundamentos com Nanã, Oiá, Xangó, Omulu
Ieiê Ipetu - é uma Oxum de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Oçânhim e, principalmente, a Oiá, dada a sua ligação com Egum.
Euji
Iá Botá
Ianlá
Oxum Opará ou Apará - qualidade de Oxum, em que usa um abebé e um alfange (adaga) ou espada. Caminha com Oiá Onirá, com quem muitas vezes é confundida. Diferente das outras Oxum por ter enredo com muitos orixás, vem acompanhada de Oiá e Ogum.
As sete folhas mais usadas para Oxum são Efirin, Eré tuntún, Macassá, Teté, Ejá Omodé, Wuê mimolé e Ewê boyí funfun.
Umbanda
Ver artigo principal: Oxum na Umbanda
Na Umbanda, o culto a Oxum apresenta poucas diferenças em relação à Religião iorubá e ao Candomblé.[3]
Sincretismo
Oxum
Oxum
Nas religiões afro-brasileiras, é sincretizada com diversas Nossas Senhoras. Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres, enquanto em Pernambuco e nos demais estados do Nordeste é sincretizada com Nossa Senhora do Carmo.[7] No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição. No Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora, ora com Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e especificamente em Minas Gerais é sincretizada com Nossa Senhora das Dores.[8][9][10] No Norte do Brasil, é sincretizada com Nossa Senhora de Nazaré.[11]
Caminhos de Oxum no Lucumi
Na tradição cubana Lucumi, Oxum tem muitos caminhos ou manifestações. Algumas delas incluem:
Oxum Ibu Icolé—Oxum, o abutre, falcão, águia, predadores. Esta Oxum está associada com bruxas (Ajé), e os seus símbolos são o abutre, o almofariz e o pilão (símbolos de feitiçaria). Em Cuba, seus mitos dizem que esta Oxum salvou o mundo, por voar as orações do mundo a morrer até o Sol (Orum), onde Olodumarê vive, no entanto, na África Ocidental este mito é atribuído a Iemanjá.
Oxum Ibu Aniá—Oxum dos tambores (Drums). Esta Oxum é a padroeira da dança e dos tambores Aniá. Ela diz para dançar incessantemente para esquecer seus problemas.
Oxum Ibu Iumu—Esta Oxum é a mais velha Oxum. Ela se senta no fundo do rio, tricotando.
Oxum Ibu Docô—Oxum, a esposa de Ocô. Esta Oxum é retratada como um sulco para ser arado e uma vulva gigante, enquanto seu marido Ocô é um fazendeiro e retratado como um falo gigante. Esta é uma das manifestações mais obviamente procriativa de Oxum.
Oxum Ololodi—Oxum, a adivinha. Esta Oxum é a esposa de Orunmila, o orixá da adivinhação Ifa.
Oxum Ibu Acuaró—Oxum, a codorna. As crianças desta manifestação de Oxum são consideradas pessoas muito nervosas.
Haiti
No Haiti, Oxum é a orixá do amor, do dinheiro e da felicidade. Também conhecida como Erzile ou Erzulie, Erzulie Freda no vodum.[12]
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Oxum
Comidas/Oferendas
No Candomblé, Oxum tem duas comidas muito conhecidas.
A primeira é o Omolocum, que é feito com feijão fradinho, cebola, dendê, camarão e ovos. A segunda é o Ipeté, iguaria que divide com o povo da terra em festa específica.
No Batuque, Oxum come canjica amarela e quindim, regado com mel, com variações que dependem de suas qualidades. Também come pêssego, mamão, melão, cabras e galinhas.
Quizilas/Euós
Oxum não come pombos, pois foi se transformando em pombo que se salvou do cárcere que Xangô lhe deixou. Assim, nem ela e nem seus iniciados podem comer da carne do pombo.
Oxum abomina o abacaxi e todos os frutos do Orixá Obá por conta de sua contenda, que por amor a Xangô, atravessa os tempos.
Por morar no rio, Oxum não come peixes que vivem na água doce, apenas os que vivem na água salgada, ou seja, o mar.
Qualidades de Oxum no Batuque
Oxum Pandá (ou Ipondá): Oxum menina, mais nova de todas. Coquete, faceira, que adora se refletir o tempo todo no espelho. Ligada ao amor e ao casamento, a dona do par de alianças. Faz adjuntó com todos os Orixás masculinos do panteão (em suas qualidades jovens);
Oxum Miuá: Oxum extremamente guerreira, a única que utiliza o abebé e a espada. Ligada à morte e diretamente ao culto de Oiá. Responde na queda d'água (encontro da água da Cachoeira com as pedras). Assemelhada com Oxum Opará do Candomblé e faz adjuntó apenas com Ogum e Xangô (em casos raros, com Oxalá Bocum);
Oxum Ademum: Oxum de meia idade, que vive na margem dos rios, onde há matas. A única que come dendê e se alimenta de caça. A Oxum que briga e retira a fertilidade da terra para comandar o mundo juntamente com os Orixás homens.
Rege a saúde e é a única que Oçânhim compartilha do segredo da cura através das folhas. É de pouca fala, e muito séria. Faz adjuntó apenas com Oçânhim (em casos raros, com Xapanã);
Oxum Olobá: é velha, extremamente ranzinza e muito feiticeira. Próxima ás Iyá Mi Oxorongá. Rege o a saúde e o equilíbrio do ser humano e das crianças. A única Oxum que responde na lomba e também responde no fundo do Rio (a parte mais escura e fria).
Geralmente faz adjuntó com Xapanã ou Xangô, mas em alguns casos, também faz com Oxalá (todos estes Orixás em suas qualidades velhas);
Oxum Docô ou Adocô: A matriarca de todas as Oxum.
Mais velha que Oxum Olobá, que de tão velha, anda encurvada, igual a Oxalá. É protetora de todas as crianças. Faz adjuntó com Oxalá (em suas qualidades velhas), porém, em casos raros, também faz com Xangô.
Cores
No Candomblé, dependendo da qualidade de Oxum, muda a cor. Mas são utilizadas as cores dourado, amarelo, branco, azul e rosa.
No Batuque é amarelo, porém, dependendo da qualidade, é adicionada mais uma cor na guia deste Orixá: - Oxum Pandá usa amarelo e dourado (ou só amarelo); - Oxum Miuá usa amarelo e vermelho; - Oxum Ademum usa amarelo e verde (ou apenas dourado); - Oxum Olobá usa amarelo e lilás; - Oxum Docô usa amarelo e branco.
Na Umbanda, a cor de Oxum é o azul claro, que lembra a água dos rios e cachoeiras. Porém, algumas casas utilizam também do amarelo como cor de Oxum na Umbanda.
Ferramentas
No Candomblé, todas as qualidades de Oxum utilizam o abebé de ouro. Porém, quando manifestada em suas qualidades guerreiras, utiliza da espada, e quando manifestada em suas qualidades caçadoras, utiliza um Ofá dourado.
No batuque, a única Oxum que utiliza espada é Miwá, porém, em alguns casos, Oxum Ademum pode fazer uso de lança ou ofá.
No Candomblé seus assentamentos são feitos no tacho dourado (de ouro) ou em utensílios de louça (sopeira, tigelas, etc...) No Batuque, seus assentamentos são feitos apenas em utensílios de louça.
IBEJI
Os reis gemeos
Ibeji (também conhecido como Yori) é o orixá jeje-nagô dos gêmeos.
Ibeji - deus dos gêmeos
Mãe - Iansã
Etimologia
Ibeji" é uma junção dos termos iorubas ibi, nascimento, e eji, dois.
África
Ibeji é divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos na mitologia iorubá, identificado no jogo do merindilogum pelos odus ejiocô e Icá. Dá-se o nome de Taiwo ao primeiro gêmeo e o de Kehinde ao último. Os iorubás acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.
Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os iorubás colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra.
O animal tradicionalmente associado a ibeji é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África subsariana. A espécie em questão é o Colobus polykomos, ou colobo-real, que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em iorubá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.
Imagens de Ibeji no candomblé
Na África, as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza.
A palavra Ibeji quer dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem, respeitando o princípio básico da dualidade.
Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos) que os Ibejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Ibejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa, também recebem oferendas.
Entre as divindades africanas, Ibeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Ibeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.
Na África, o Ibeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia a dia. Ibeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado. O poder de Ibeji jamais podem ser negligenciado, pois o que um orixá faz Ibeji pode desfazer, mas o que um Ibeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade. Os gêmeos Ibeji entre os iorubas, hoho e fons são objeto de culto.
Não são nem orixá nem vodum, mas o lado extraordinário desses duplos nascimentos é uma prova viva do princípio da dualidade e confirma que existe neles uma parcela do sobrenatural, a qual recai em parte na criança que vem ao mundo depois deles.
Recomenda-se tratar os gêmeos de maneira sempre igual, compartilhando com muita equidade entre os dois tudo o que lhes for oferecido. Quando um deles morre com pouca idade o costume exige que uma estatueta representando o defunto seja esculpida e que a mãe a carregue sempre. Mais tarde o gêmeo sobrevivente ao chegar à idade adulta cuidará sempre de oferecer à efígie do irmão uma parte daquilo que ele come e bebe. Os gêmeos são, para os pais uma garantia de sorte e de fortuna.
Imagens femininas de Ibeji da Nigéria do início do século XX em exposição no Museu das Crianças de Indianápolis, nos Estados Unidos
Brasil
Carybè, rilievi degli orixas, ibeji.JPG
Existe uma confusão latente entre Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade, confundindo até mesmo como orixá. Ibeji são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião.
Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas etc.
Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequente: nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas, tudo enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem então revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, à vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a princípios simplistas como "gosta de mim" ou "não gosta de mim". Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa facilidade. Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades esportivas, sociais e das festas.
A grande cerimônia dedicada a Ibeji acontece a 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto a eles como aos frequentadores dos terreiros.
Ibeji, na nação Queto, ou Vunje, nas nações Angola e Congo. É a divindade da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância. Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo.
É a divindade que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega. Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe; uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes.
Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda dessa divindade. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.
A palavra Eré vem do iorubá iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré, que significa "fazer brincadeiras". O Ere (não confundir com "criança", que, em iorubá, é omodé) é o intermediário entre o iniciado e o orixá. Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância, pois é o Ere que, muitas vezes, trará as várias mensagens do orixá do iniciado, enquanto o orixá não tiver recebido o seu axé de fala (após esse ritual, o orixá poderá falar normalmente). O Ere também pode fazer e ajudar nas tarefas do Ile Axe quando manifestado, em certas ocasiões.
O Ere, na verdade, é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão. O Ere conhece todas as preocupações do iaô (filho), também aí chamado de omon-tú ou "criança-nova". O comportamento do iniciado em estado de Ere é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá. Após o ritual do Oruncó, ou seja, nome de iaô, segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas, chamado panã.
NANÃ BURUQUÊ
Nanã, Anamburucu, Borocô, Nanamburucu (em iorubá: Nanan Buruku) ou Nanã Buruquê é um vodum e orixá da sabedoria e dos pântanos. Responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne). Identificada no jogo do merindilogum pelo odu ejilobom e representado materialmente no candomblé através do assentamento sagrado denominado ibá de Nanã.
Símbolo:Ibiri/ Cor(es): Roxa/ Cônjuge(s): Oxalá/ Filho(s): Omolu, Iroco, Oçânhim, Oxumarê, Ieuá
Afirma-se que Nanã era a rainha de um povo e que tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá desposou-a, mas não ligava para ela. Nanã, então, fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho, Omolu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orumilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. Assim, nasceu Oxumarê, que, durante seis meses do ano, vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.
Em outra lenda, conta-se que, na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore. Nanã, então, chamava os Eguns para assustá-lo. Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu a sua entrada no Jardim dos Eguns. Oxalá então espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela" (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido. Hoje, no Culto aos egunguns, só os homens são iniciados para invocar os Eguns.
Uma terceira lenda refere que, certa vez, os orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.
Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iabá e a mais vaidosa, em nome da qual desprezou seu filho primogênito com Oxalá, Omolu, por este ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou abandonando-o numa praia. Iemanjá o achou abandonado, quase morrendo e o curou e o criou como se fosse sua mãe, dando-lhe todo o amor e carinho. Sabendo do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (Oxumarê, Ieuá e Oçânhim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio.
Nanã é dona de um cajado, o ibiri. Suas roupas parecem banhadas em sangue. É a orixá das águas paradas. Ela mata de repente, mata uma cabra sem usar faca. É considerada o orixá mais antigo do mundo. Quando Orumilá chegou aqui para frutificar a terra, ela aqui já estava. Nanã desconhece o ferro por se tratar de um orixá da pré-história, anterior à idade do ferro. O termo nanan significa "raiz", aquela que se encontra no centro da terra.
Nanã tornou-se uma das Iabás mais temidas, tanto que, em algumas tribos, quando seu nome era pronunciado, todos se jogavam ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolu. É protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. É um vodum, segundo alguns pesquisadores, originário de Dassa-Zumé. É uma velha divindade das águas. Pierre Verger encontrou um templo de Dassa-Zumé e o sacerdote do seu culto.
A área que abrange seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do rio Níger, até a região dos nupés, a oeste, além do rio Volta, nas regiões dos "guang", ao nordeste dos axantes.
Entre os fons e maís, ela é considerada uma divindade hermafrodita, anterior a Mawu e Lissá, aos quais teria dado origem em associação com a "serpente do Universo" Dã. Para os eués e minas, ela é, às vezes, vista como vodum masculino (Nana Densu), esposo da grande mãe das águas Mami Uata.
Nanã é cultuada no candomblé Jeje como vodum e, no Candomblé Queto como um orixá da chuva, das águas paradas, mangue, pântano, terra molhada, lama e considerada a mãe dos orixás Obaluaiê, Iroco, Oçânhim, Oxumarê e Ieuá. Nanã é chamada carinhosamente de "Avó", por ser usualmente imaginada como uma anciã. É cultuada em todo o Brasil nas religiões afro-brasileiras. Seu emblema é o ibiri, que caracteriza sua relação com os espíritos ancestrais. Como "Mãe-Terra Primordial" dos grãos e dos mortos, Nanã poderia ser equiparada à Titã Gaia.
OXUMARÊ
Oxumarê, Oxumaré. Liga o céu à terra. Corresponde ao vodum Dã da cultura jeje.
Dan - deus do arco-íris
símbolo - serpente de duas cabeças ou duas serpentes de ferro
sincretismo - São Bartolomeu
Etimologia
"Oxumarê" é originário do vocábulo "Òṣùmàrè", cuja tradução é "arco-íris", em língua iorubá
Oxumarê na África
Oxumarê por Carybé
É a cobra-arco-íris. Em nagô, é a mobilidade, a atividade. Uma de suas funções é a de dirigir as forças que dirigem o movimento. Ele é o senhor de tudo que é alongado. O cordão umbilical que está sob o seu controle, é enterrado, geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.
Ele representa também a riqueza e a fortuna, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás. Em alguns pontos, se confunde com o vodum Dã da região dos maís.
É o símbolo da continuidade e da permanência. Algumas vezes, é representado por uma serpente que morde a própria cauda. Oxumarê é um orixá completamente masculino, porém algumas pessoas acreditam que ele seja macho e fêmea. Porém o orixá feminino que se iguala a Oxumarê é Ieuá, sua irmã gêmea, que tem domínios parecidos com o dele. Enrola-se em volta da terra para impedi-la de se desagregar. Rege o princípio da multiplicidade da vida, transcurso de múltiplos e variados destinos.
De múltiplas funções, diz-se que é um servidor de Xangô, que seria encarregado de levar as águas da chuva de volta para as nuvens através do arco-íris.
É o segundo filho de Nanã, irmão de Oçânhim, Ieuá e Obaluaiê, que são vinculados ao mistério da morte e do renascimento. Seus filhos usam colares de búzios entrelaçados formando as escamas de uma serpente que têm o nome de brajá. Usam, também, o laguidibá, como Nanã e Omolu.
Oxumarê no Brasil
Casa de Oxumarê, em Salvador
No Brasil, as pessoas dedicadas a Oxumarê usam colares (fio de contas) de miçangas ou contas de vidro amarelas e verdes; a terça-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seus iniciados usam brajá - longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente. Quando dançam, levam, nas mãos, pequenas serpentes de metal e apontam o dedo indicador para o céu e para a terra num movimento alternado. As suas oferendas são feitas de patos, feijão, milho e camarões cozidos no azeite de dendê.
Na Bahia, Oxumarê é sincretizado com São Bartolomeu e festejado no dia 24 de agosto.
Certa lenda conta que ele era, outrora, um babalaô adivinho, "filho de proprietário da estola de cores brilhantes". Em outra lenda, o mesmo tema aparece: "este mesmo Babalaô Oxumarê vivia explorado por Olofim-Oduduó, o rei de Ifé, seu principal cliente". Oxumarê consultava-lhe a sorte de quatro em quatro dias.
Sua nação é a jeje, onde é chamado Dan e tido como rei do povos jejes. É uma palavra de origem iorubá que significa estrangeiro, forasteiro e estranho e que recebeu uma conotação pejorativa como "inimigo" por parte dos povos conquistados pelos reis de Daomé e seu exército.
Na nação jeje, sua cor é o amarelo e preto de miçangas rajadas. Já no candomblé queto, suas cores são o verde e amarelo intercaladas. Porém essas cores definem apenas o fio de contas, pois todas as cores do arco-íris lhe pertencem.
Arquétipo
Assentamento de Oxumarê
Seus filhos, assim como conta a lenda de Oxumarê, em sua maioria no início passam por muitas dificuldades, sendo quase miseráveis, porém, mais tarde, dão a grande volta em seu caminho, se tornando ricos, poderosos e, muitas vezes, orgulhosos. Porém, nunca se negam a ajudar quando alguém realmente precisa deles. E não raro é ver um filho de Oxumarê se desfazer de algo seu em favor dos necessitados com a maior facilidade, contrapondo seu estado de orgulho e ostentação a exibir sua riqueza. Nessa fase, estão no arco-íris, a fase mais doce e sincera que possuem.
São pessoas de temperamento fácil de se lidar estando calmas, porém se tornam terríveis quando com raiva, representando, nesse estado, a serpente, que vem trazendo o lado negativo de Oxumarê, o seu lado mais perigoso, que é a falsidade e a perversidade.
Tudo muda em suas vidas: os amigos, os romances, as cidades em que moram. Gostam de mudanças e, quando as fazem, se tornam radicais. Podem desenvolver a bissexualidade, pois esta faz parte da característica deste orixá, que é 6 meses homem e 6 meses mulher. Não que seus filhos tenham os dois sexos, mas podem gostar e sentir atração por homem e mulher de forma natural.
Duas fases de Oxumare
Oxumarê, dentro do candomblé, se divide em duas qualidades:
Oxumarê macho, é representado pelo arco-íris; Oxumarê fêmea, chamado de Frecuém e representado pela serpente. Identificado no jogo do merindilogum pelo odu Icá e representado material e imaterialmente no candomblé através do assentamento sagrado denominado ibá de Oxumarê. A divindade é seis meses homem e seis meses mulher, mas é considerado pai de cabeça e não mãe.
OBALUAÊ
Obaluaiê (em iorubá: Ọbalúwáiyé), Abalaú, Abaluê, Abaluiaê, Obaluaê ou Yorimá é o orixá da cura em todos os seus aspectos, da terra, do respeito aos mais velhos e protetor da saúde. É chamado sempre que necessário afastamento de enfermidades.
Obaluaiê
Obaluaiê manifestado em um elegum durante o festival ao orixá Obaluaiê em Ibadã, no estado de Oió - Nigéria
Obaluwaye . Obaluaê . Babaluaê
Deus da cura sobre as doenças e respeito aos anciãos
Mãe
Olu
Irmão/Amigo
Xangô
Instrumentos
lança de caça e xaxará
Domínios
Saúde, feitiços e a terra
Todo esforço para manter o equilíbrio mental, físico, emocional ou espiritual também é uma forma de cultuar este orixá. Como as coletividades também adoecem, todo esforço para aqueles que nos cercam ou para melhorar o mundo em que vivemos também é uma forma de cultuar Obaluaiê. Ao contrário do que pensam, ele não é o deus da morte, dos mortos, do cemitério ou das almas que lá habitam. O que acontece, é que por ser o orixá que promove a cura para as enfermidades, automaticamente ele está sempre próximo a Iku (orixá responsável por tirar a vida), pois ele promove a cura para aqueles que estão perto da morte.
Com a aglutinação de Orixás (vários orixás parecidos serem cultuados como apenas um) promovida pela diáspora africana, Obaluaiê é constantemente confundido com o vodum Sapatá, e especialmente com o orixá Omolu e difundido até que são a mesma divindade, mas são orixás diferentes. Esse equívoco ocorre principalmente, pelo motivo de os dois orixás terem domínios sobre a cura e doenças, e os dois usarem xaxará. Outro fator que promoveu essa confusão, é que Obaluaiê era chamado de Omo Olu (filho da Olu) mas pelo fato de sua mãe se chamar Olu, enquanto o orixá Omolu recebe esse nome com o significado de "filho do senhor" (Omo = filho, Olu = senhor), já que Omolu é filho do próprio Oxalá. Outro resultado da diáspora foi a adição de palhas em suas vestimentas, resultante pela mistura de cultos com o vodum Sapatá e com o orixá Omolu, que originalmente usam palhas, diferente de Obaluaiê, que em seu culto original não usa.
O calor também é uma propriedade de Obaluaiê, como a febre, o corpo esquentando para expulsar uma doença, é Obaluaiê agindo no corpo do ser humano, assim como o calor que vem das profundezas da terra. Por isso, todo tipo de sacrifício ou oferenda para Obaluaiê deve ser feito durante o dia, nunca a noite, quando a temperatura está mais alta.
Seus poderes e as magias de seu culto são usados contra todo tipo de enfermidades, mas particularmente contra as doenças de pele, inflamações, e doenças transmitidas através do ar que possam causar epidemias. Também são usadas para curar pessoas com problemas de convulsão, epilepsia e catalepsia.
Etimologia
Obaluaiê é um termo iorubá que significa "o rei que é senhor da terra": Obá (rei) + Olu (senhor) + Aiê (terra). Também é conhecido como Babá Iboná = pai da quentura), Ile Igbona (terra quente), Olode (senhor do exterior, aquele que é cultuado do lado de fora).
Descrição
Obaluaiê é identificado no jogo do merindilogum pelos odus Irossum, Ossá, Ejilobom e representado materialmente e imaterial no candomblé através do assentamento sagrado denominado ibá de Obaluaiê. Ele representa o ponto de contato dos humanos com a terra e o Aiê. Sua energia é manipulada para agradecer à terra pelo o que ela oferece.
Acredita-se que Obaluaiê e Xapanã são a mesma divindade por serem relativamente semelhantes, mas mesmo assim, com algumas diferenças. Enquanto Xapanã é o orixá que foi criado por Olodumarê e desceu para o Aiê para ajudar a criar o mundo, Obaluaiê é o homem, que teve uma vida própria, normal, mas que se tornou orixá pelo seus poderes (iguais aos de Xapanã) e pela sua sabedoria. Outra teoria é que Obaluaiê seria uma encarnação de Xapanã. Tem-se então que seu verdadeiro nome seja Xapanã (em iorubá, varíola), que é o verdadeiro nome de Xapanã, e que dizer esse nome poderia causar varíola àquele indivíduo, ou até mesmo causar uma epidemia de varíola na cidade. Portanto, o nome Xapanã era usado somente durante os rituais litúrgicos.
Este orixá possui total controle sobre o ajogum Arum (doença), em que afasta este ajogum (seres que lutam contra a humanidade) da pessoa e das comunidades quando chamado, mas que também pode ser seu grande aliado quando decide punir alguém, por roubar, ser mau-caráter, etc. E principalmente pelas coisas que este orixá mais condena, que é o envenenamento, a mentira e a feitiçaria. Por este motivo, em terras africanas o ibá de Obaluaiê sempre fica afastado das cidades, para que este orixá não puna as pessoas que agirem de forma que ele decida que mereça uma punição.
Obaluaiê é estreitamente relacionado a Exu e Xangô. Seu castigo, como o de Xangô, é considerado uma punição nobre. Assim, a morte de alguém por varíola não deve ser lamentada, mas, ao contrário, deve ser aceita com alegria e gratidão. Daí origina-se outro de seus nomes: Alápadúpé (O que mata e a quem devemos ser agradecidos por haver morto). Alguns anciãos dizem que Obaluaiê é irmão mais novo de Xangô. De fato o calor é comum às duas divindades, nas febres provocadas por Obaluaiê e no poder sobre o fogo de Xangô. Esta crença leva os devotos de Xangô a considerarem-se imunes à fúria de Obaluaiê, e vice-versa: daí a expressão "Não há dano que o irmão mais velho possa infligir aos filhos do irmão mais novo". Estes orixás são tão familiares entre si que, segundo narrações tradicionais, Obaluaiê refere-se frequentemente a Xangô, em tom de brincadeira, dizendo que quando este vai destruir uma única pessoa faz um enorme alarde, com extraordinários efeitos de luz e som (relâmpagos e raios), enquanto ele próprio destrói centenas de pessoas silenciosamente.
História
Obaluaiê dançando Opanijé no candomblé do Ilê Axé Ijino Ilu Oróssi
A maioria das histórias conhecidas sobre Obaluaiê não são originalmente dele, mas sim de Omolu, pelo fato da mistura dos dois cultos e de muitas informações tiverem sido perdidas ao passar dos anos. Obaluaiê não era filho de Nanã, consequentemente não era irmão de Oxumarê e Ieuá, e não tinha nenhuma doença (por isso, Obaluaiê não usa palhas) em seu corpo, diferente de Omolu. Era exatamente pelo fato de não ter doença com que ele podia controlá-las, fazendo com que seu poder entrasse no corpo das pessoas tirando as enfermidades, ou por algum motivo, causá-las a algum indivíduo.
A história de que Obaluaiê e Xangô terem uma certa rivalidade ou desavença, também não é verdadeira, pois os mesmos eram melhores amigos, em algumas regiões é considerado até que eram "irmãos de diferentes mães". Quando Obaluaiê estava de passagem em Oió com seu pequeno exército, algumas nações declararam guerra a Oió e a Xangô. Xangô, que já tinha ouvido falar da fama de Obaluaiê e sabia que o poderoso guerreiro estava em seu reino, foi pedir-lhe ajuda para que ajudasse na guerra. Obaluaiê aceitou o pedido, pois ele e Xangô eram provenientes de Tapa, tinham a mesma origem. A partir daí, Obaluaiê e Xangô se tornaram melhores amigos. Quando Xangô, sumiu e se tornou orixá, e todos acharam que tinha morrido, escolheram temporariamente Obaluaiê para ser o Alafim de Oió, pelo fato de ser o melhor amigo do antigo rei. Por este motivo, Obaluaiê leva o termo "Obá" (rei) em seu nome, e sua saudação é "Kabiesi oo" (Salve a majestade).
Sua dança, o opanijé cuja tradução é: "ele mata qualquer um e come", expressão também conhecida em terras africanas. Nela dança curvado para frente, e faz menção aos cinco sentidos humanos e a terra, como que dizendo que ele é quem é o dono da terra e dos sentidos.
Seus instrumentos são a lança, indicando sua ligação com a guerra (já que quando humano era um guerreiro), uma pequena cabaça com feitiços para dar às pessoas que estão doentes e o xaxará (Sàsàrà), espécie de cetro de mão, feito de nervuras da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas, em que ele capta das casas e das pessoas as energias negativas, bem como "varre" as doenças, impurezas e males sobrenaturais. Esta representação nos mostra sua ligação a terra. Na Nigéria, os Owo Érindínlogun adoram Obaluaiê e usam, no punho esquerdo, uma tira de Igbosu (pano africano) onde são costurados cauris esó (búzios).
A roupa de Obaluaiê é feita com um pano vermelho, e pode usar incrementado com preto ou branco. Em sua roupa também é colocada magias para que quando as pessoas cheguem perto do orixá, a doença vá embora. A coloração do vermelho é um pouco mais clara, assim como a de Xangô.
No Brasil, com a mistura do culto de Obaluaiê com orixás que usam palhas, ele usa uma vestimenta de palhas de ìko, é uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a palha da costa, elemento de grande significado ritualístico, sua presença indica que algo deve ficar oculto. É composta de duas partes: o "filá" e o "azé". A primeira parte, a de cima, que cobre a cabeça, é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura.
O azé, seu asó-ìko (roupa de palha), é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos. Em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia, vai um xokotô, espécie de calça, também chamado "cauçulu", em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta, acompanham algumas cabaças penduradas, onde carrega seus remédios. A palha da costa é mais encontrada no norte do Brasil.
Os festivais que são realizados no período de seca, onde normalmente se espalham doenças pela cidade. Obaluaiê incorporado em um elegum, os sacerdotes e devotos saem pelas ruas da cidade, pedindo o afastamento de doenças, para que a terra possa voltar a dar frutos e para que não falte alimento. Durante as procissões, os doentes se abaixam perante Obaluaiê para que recebam magias e remédios para obter a cura. Em terras iorubás, normalmente são famílias que por gerações os membros são iniciados para Obaluaiê e tem a responsabilidade de manter vivo o seu culto e passa-lo para gerações futuras.
No Brasil, a festa anual é o Olubajé (Comer a comida do senhor). São feitas e distribuídas no mínimo nove iguarias da culinária africana (comida ritual), seus "filhos" devidamente incorporados e paramentados oferecem aos convidados e assistentes, em folhas de mamona ilará ou bananeira (aguede), no sentido de prolongar a vida e trazer saúde . É sincretizado como São Roque e São Lázaro.
Na umbanda, acredita-se que atua no processo de reencarnação e da evolução humana sinalizando as passagens de um nível vibratório ou estágio da evolução para outro.
Seus filhos parecem ter mais idade do que realmente têm por conta da entidade ser mais velha e agem como se tivessem idade avançada. Seus filhos são doces, mas reclamões, rabugentos, um tanto mal-humorados. Quando querem, fazem e ajudam a todos sem exceção. Sofrem com muitos problemas de saúde que se arrastam por anos, geralmente desde criança ou desde o nascimento. São fiéis, dedicados e amigos de verdade. Podem ter premonições e seus filhos tem um pensamento de pessoas maduras, o que os ajuda a não agirem como crianças, ou serem irresponsáveis. Gostam da ordem e disciplina.
Não são pessoas de levar desaforos para casa e nem de falar pelas costas. Odeiam fofocas e vulgaridades do gênero. Os filhos de Obaluaiê são irônicos, secos e diretos. Os descendentes desse orixá são muito independentes e têm a necessidade de crescer com suas próprias forças e recursos. Muitas dessas pessoas, devido à influência do seu orixá, que comanda os eguns, podem ter experiências sobrenaturais, como visões, sonhos etc.
Na Santería, Babaluaiê está entre os orixás mais populares. Sincretizado com Lázaro, e considerado particularmente milagroso, Babaluaiê é homenageado publicamente com uma peregrinação no dia 17 de dezembro, quando dezenas de milhares de devotos se reúnem na Igreja e Leprosário de São Lázaro em El Rincón, na periferia de Santiago de Las Vegas, Havana.
Comunidades Arará em Cuba e sua diáspora honram o espírito como Asojano. Ambas as tradições usam pano de saco em rituais para evocar a sua humildade. O espírito também aparece em Palo como Pata en Llaga.
Na santería, é cultuado como Babaluaiê. As narrativas e rituais que carregam a informação cultural importante sobre Babaluaiê incluem vários temas recorrentes e inter-relacionados.
Terra: A adoração de Babaluaiê é frequentemente associada à própria Terra, e até mesmo o seu nome identifica-o com a própria Terra.
Doença e sofrimento: Referido como o "deus da varíola", Babaluaiê certamente liga de volta à doença no corpo e as mudanças que ela traz. Porque Babaluaiê tanto pune as pessoas com a doença e os recompensa com a saúde, suas histórias e cerimônias frequentemente lidam com o corpo como um locus central da experiência para ambas as limitações humanas e poder divino. Da mesma forma, sua claudicação mítica evoca a ideia de viver em um constante estado de limitação e a dor física, enquanto as pessoas apelam para ele para protegê-los da doença.
A permeável natureza das coisas: Nas Américas, as vasilhas de Babaluaiê sempre tem vários buracos em suas tampas, permitindo a entrada das oferendas, mas também simboliza a dificuldade em conter a doença completamente. Estes buracos são muitas vezes explicitamente em comparação com feridas pústula da pele do orixá. Esta permeabilidade também aparece no pano de saco e franja de ráfia chamado mariwó usado para vestir o orixá.
Sigilo e revelação: O contraste entre silêncio e fala, escuridão e luz, e sigilo e revelação permeiam a adoração de Babaluaiê. De acordo com a tradição, certas coisas devem permanecer secretas para sustentar seu poder ritual ou na sua função saudável. Por sua vez a inadequada revelação leva a doença e outras manifestações negativas. Por outro lado a revelação de informações adequadas pode fornecer ensinamentos e orientações importantes.
Maldade e retidão: Representado em narrativas sagradas como um transgressor em alguns casos, o próprio Babaluaiê é condenado ao exílio porque ele quebrou o contrato social. A dor física de sua perna manca transforma a dor emocional do exílio. Só depois de passar muito tempo em isolamento ele retorna à sociedade. Em outros contextos, ele é elogiado como o mais justo de todos os orixás. Da mesma forma, ele é muitas vezes referido como a punição a ofensa de seres humanos.
Exílio e movimento: Fortemente associadas com a floresta e a estrada em si, as histórias principais e cerimônias relacionadas com Babaluaiê envolvem movimento como um antídoto à estagnação. Em cerimônias Lucumí e Arará em Cuba, sua vasilha é ritualmente movida de lugar para lugar em iniciações importantes. Mas através deste movimento por espaços diferentes, Babaluaiê aparece regularmente como um complexo, mesmo figura liminar, que une vários reinos.
Fortemente associado com ervas poderosas utilizadas para venenos e panaceias, ele é por vezes associado com Oçânhim e os poderosos atos de magos. Fortemente associado com a Terra e os ancestrais enterrados dentro dela, ele às vezes é ritualmente honrado com os mortos.[20] Ao mesmo tempo, ele é amplamente incluído como um orixá ou um fodum, como o Arará tradicionalmente chama suas divindades em Cuba. Da mesma forma os cães fortemente associados com Babaluaiê movimentam da casa, para a rua, para a floresta, e para trás com relativa facilidade.
Morte e ressurreição: Por último, mas não menos importante, a própria jornada de exílio, a debilitação da Babaluaiê e, finalmente, a restauração aborda a natureza cíclica de toda a vida. Embora este tema de transcendência desempenha um papel muito mais proeminente nas Américas do que na África Ocidental, também está presente lá em narrativas sobre epidemias que abateram sobre reis e reinos, apenas para encontrar alívio e remédio em Babaluaiê.
Atributos principais
Dia da semana: segunda-feira
Cores: preto, vermelho e branco
Símbolo: Sasará, lê-se "xaxará" (um tubo de palha trançada com sementes mágicas e segredos dentro).
Número: 13
Comida: gugurú (pipoca feita na areia colhida em praias).
Saudação: Kabiesi o (Ele é a majestade) e Atotô (silêncio).
Odu regente: Odí
IANSÃ - OYÁ
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Oiá (em iorubá: Oyá), também chamado Iansã, provém do nome do rio na Nigéria, onde seu culto é realizado, atualmente chamado de rio Níger. É uma divindade do fogo, como Xangô, mas também é relacionada ao elemento ar, regendo os raios. É uma das divindades que, ao lado de Airá e Afefê Icu, (o vento da morte), domina os ventos.
Oiá candomblé
Costuma ser reverenciada antes de Xangô, como o vento personificado que precede a tempestade. Assim como a Orixá Obá, Oiá também está relacionada ao culto dos mortos, onde recebeu de Xangô a incumbência de guiá-los a um dos nove céus de acordo com suas ações. Para assumir tal cargo recebeu do feiticeiro Oxóssi uma espécie de eruquerê especial, chamado de Eruexim, com o qual estaria protegida dos Eguns. Oiá/Iansã é a primeira orixá de temperamento mais agressivo, sendo que a segunda é Obá e a terceira é Oxum.
O nome Iansã trata-se de um título que Oiá recebeu de Xangô, que faz referência ao entardecer. Iansã quer dizer A mãe do céu rosado ou A mãe do entardecer. Era como ele a chamava pois dizia que ela era radiante como o entardecer.
Os africanos costumam saudá-la antes das tempestades, pedindo a ela que apazigue a fúria de seu marido Xangô, o Orixá dos trovões e da lava, pedindo clemência. Sua saudação "Iyá-mésàn-òrun/Mãe dos nove Oruns"
Os devotos costumam lhe oferecer sua comida favorita, o àkàrà (acarajé), ekuru e abará.
No candomblé a cor utilizada para representá-la é o marrom, ainda que seja mais identificada com a cor rosa. No Brasil houve uma grande distorção com relação as suas regências e origens.
Inhansã ou Oiá, como é também chamada no Brasil, é uma divindade da Mitologia iorubá associada aos ventos e às águas, sendo companheira de Xangô, o senhor dos raios e tempestades.
É saudada como "Iya mesan lorun", título referente à incumbência recebida como guia dos mortos. Iansã é associada a sensualidade, dos Orixás femininos é uma das mais guerreiras e imponentes.
Saudação: Epahhey ,Oia!Dia: Quarta-feira.Cores: Marrom, vermelho, rosa e branco.Símbolos: iruquerê, espada de cobre.Proibições: Abóbora, arraia e carneiro.
Sete folhas mais usadas para Oiá
BotujéEuê dijiOpá orôEuê mensãTanapossóAcocôArquétipo
Suas filhas, ou mulheres que tenham Iansã próximo de si na Terra, são mulheres sensuais, ousadas, falam o que pensam e sofrem muito, seja por qualquer motivo, especialmente no amor. São mulheres que batalham, trabalham incansavelmente, são guerreiras, lutam como peões. Geralmente essas mulheres cuidam de tudo sozinhas, até dos filhos.
Cultura afro-brasileira
Em Salvador, Oiá ou Iansã é sincretizada com Santa Bárbara que é madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados. É homenageada no dia 4 de dezembro na Festa de Santa Bárbara da Igreja Católica. É um grande evento sincrético, composto de missa, procissão feita por católicos e praticantes do Candomblé, além das festas nos terreiros, o caruru de Iansã, samba de roda e apresentação de grupos de capoeira e maculelê.
Quartel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado da Bahia, Salvador, Bahia
Cuba
Oiá é sincretizada na Santeria cubana com imagens católicas de Nossa Senhora da Candelária ou Nossa Senhora da Anunciação e Santa Teresa.
Haiti
Na Santeria Obaluaiê e Oiá são os patronos da loucura.
Orixá
divindades da religião iorubá representados pela natureza.
OXÓSSI
Oxóssi ou Oxoce é o orixá da caça, florestas, dos animais, da fartura, do sustento. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento. É a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas. É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.
Pais: Oxalá e IemanjáIrmãos: Ogum e ExuCônjuge: OtimFilhos: Logunedé e Ibeji
Instrumentos: ofá, iruquerê, capanga e chapéu de couro
Sincretismo
Arcanjo Miguel, em Pernambuco. São Jorge, na Bahia. São Sebastião, no Rio de janeiro
O que encontramos no dia a dia no almoço, no jantar, enfim, em todas as refeições, pois é ele quem provê o alimento. Na África antiga, Oxóssi era considerado o guardião dos caçadores, pois cabia a eles trazer o sustento para a tribo. Hoje, Oxóssi é quem protege aquelas pessoas que saem todos os dias para o trabalho, para trazer o sustento. Segundo Mario Cesar Barcellos "Oxóssi também está ligado às artes". "Ele está presente no ato da pintura de um quadro; na confecção de uma escultura; na composição de uma música; nos passos de uma dança; nas misturas de cores; na escrita de um poema, de um romance de uma crônica. Está na arte em um modo geral, desde o canto dos pássaros, da cigarra, ao canto do homem".
Oxóssi também rege o revoar dos pássaros, a evolução das pequenas aves. Oxóssi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo. Oxóssi é a divindade da cultura, passando para seus filhos grandes talentos artísticos, seja no canto, na criação de livros, pinturas etc.
Curiosamente, Oxóssi também é a comodidade, a vontade de admirar, de contemplar. Oxóssi é um pouco de preguiça, a vontade de nada fazer, senão pensar e, quem sabe, criar.
Em seu lado negativo, pode estar presente também na falta de alimento; no pouco plantio; no apodrecimento de frutas, legumes e verduras; e até mesmo na arte mal acabada, inacabada ou de mau gosto. O elemento de Oxóssi é a terra e a liberdade de expressão, a liberdade para viver da maneira que somos. Sua saudação é "oquê arô" ou, simplesmente, "oquê".
Os nomes dos orixás costumam estar intimamente ligados à sua personalidade ao seu propósito de ser e seus feitos. No caso de Oxóssi não seria diferente dos demais, pois seu nome está totalmente ligado ao seu campo de domínio que é a floresta, a mata, a caça, e o ato de caçar.
O nome Oxóssi vem do termo iorubá Oxóssi que é derivado de Osowusi, que significa "o guardião noturno é popular", "caçador ou guardião popular". Após ter matado o grande pássaros das feiticeiras Eleiés que ameaçava o povo durante a festa da colheita dos inhames apenas com uma flecha só e ter livrado o povo de Queto do feitiço, foi nomeado como Oxóssi e ganhou também o título de deus da caça e o responsável por todo o conhecimento adquirido através da arte de caçar. Devido a esse feito é chamado de Odé, (Odé e uma sociedade "Odés" não só isso e um Odé Ogum também e um Odé e eles não são irmãos pois Ogum e filho de Odudua e não de Oxalá com Iemanjá) quem do termo iorubá odẹ, que significa "caçador". Com a chegada dos africanos escravizados ao Novo Mundo as divindades africanas foram sendo sincretizadas com santidades do cristianismo, e assim seus nomes foram sendo ressignificados. Isso se deve é claro ao contato da cultura africana com a cultura europeia presente na colonização da América como um todo e também com a cultura dos nativos, que no caso, são os índios. Ofá (arco e flecha), o símbolo de Oxóssi
A Lenda de Oxóssi conta que ele é irmão mais novo de Ogum. Certa vez Ogum saiu para guerrear e Oxóssi ficou na tribo, porém diz a lenda, que enquanto Ogum estava fora a tribo foi atacada e Oxóssi não sabia lutar, por isso não pôde defender a tribo do ataque dos invasores. Após o retorno de Ogum, o mesmo viu toda a destruição causada a tribo e foi a procura do irmão. Ogum viu que era preciso treinar seu irmão para proteger a vila enquanto ele estivesse fora, pois Ogum é o orixá da guerra e sempre que fosse preciso sair para guerrear era necessário que alguém cuidasse da tribo. Oxóssi foi então treinado pelo seu irmão Ogum a fim de defender a sua tribo de ataques que pudessem ser feitos a ela. Por esse motivo ele é considerado como o guardião popular, pois ele mesmo guarda a sua tribo.
Oxóssi (no candomblé) ou Oxosse (no omolocô) é o orixá da caça, das florestas, dos animais, da fartura, e do sustento. Sua mitologia tem origem na África assim como todos os orixás cultuados pelo candomblé ou umbanda. É atribuído a Oxóssi a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça, ou seja, todos os atributos necessários para um caçador. É considerado o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.
Na África antiga, Oxóssi era considerado o guardião dos caçadores, pois cabia a eles trazer o sustento para a tribo. Hoje, Oxóssi é quem protege aquelas pessoas que saem todos os dias para o trabalho, para trazer o sustento.
Oxóssi também rege o revoar dos pássaros, a evolução das pequenas aves. Em seu lado negativo, pode estar presente também a falta de alimento; no pouco plantio; no apodrecimento de frutas, legumes e verduras.
Oxóssi é considerado também como a expansão dos limites, do seu campo de ação, enquanto a caça é uma metáfora para o conhecimento, a expansão maior da vida. Ao atingir o conhecimento, Oxóssi acerta o seu alvo. Por este motivo, é um dos Orixás ligados ao campo do ensino, da cultura, da arte. Nas antigas tribos africanas, cabia ao caçador penetrar o mundo "de fora", a mata, trazer tanto a caça quanto as folhas medicinais. Além disso, eram os caçadores que descobriam os locais para onde a tribo poderia futuramente mudar-se, ou fazer uma roça. Assim, o orixá da caça extensivamente é responsável pela transmissão de conhecimento, pelas descobertas. O caçador descobre o novo local, mas são os outros membros da tribo que instalam a tribo neste mesmo novo local. Assim, Oxóssi representa a busca pelo conhecimento puro: a ciência, a filosofia.
Os orixás representam as forças da natureza e suas manifestações, por isso, cada orixá tem sua ligação com o mundo e as pessoas, e assim se manifestam. Acredita-se que o mundo fora criado por Olorum e os orixás também foram criados por ele. Olorum é eterno e onipotente está relacionado ao firmamento, a força maior que existe e por isso não se manifesta aos homens, nem tem filhos como os orixás. Embora ele tenha sua origem no panteão negro-africano o mesmo não é cultuado nem na África nem no Brasil, pois somente os orixás se relacionam com os homens. Se Olorum precisa revelar algo ele o transmite aos orixás que por sua vez faz notório aos humanos. O homem africano está sempre em contato com a natureza e suas forças, por isso é atribuído para as entidades os poderes dela. Na cultura africana não há a necessidade de escrita para a transmissão do conhecimento religioso, por isso talvez a crença nos orixás tenham suas particularidades referentes a cada tribo, pois se apoiam na transmissão oral de suas crenças.
Histórias como essa eram contadas para celebrar e transmitir a cultura dos povos africanos aos seus descendentes é importante lembrar também que alguns dos povos africanos não se baseavam na escrita para a transmissão ou preservação de suas crenças, simplesmente o ato de contar varias vezes essas histórias já se torna eficaz para a compreensão dos mais novos do contexto em que estão inseridos e de sua introdução na sociedade.
Pierre Verger, em seu livro Orixás, diz que o culto de Oxóssi foi praticamente extinto na região de Queto, na Iorubalândia, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foi escravizada, tendo sido enviados à força para o Novo Mundo ou mortos. Aqueles que permaneceram em Queto deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades.
Hoje em dia, sabemos que esta informação é falsa. Se trata de o culto de Oxóssi ser de locais e linhagens específicos que mantem o culto dele em vários lugares da Iorubalândia nos estados de Oió, Equiti, Ogum, etc. é um mito que Oxóssi se conservou na Diáspora e ser perdeu na África. Um mito que já foi desmentido.
Durante a diáspora, muitos escravos que cultuavam Oxóssi não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no Brasil e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Oxóssi se transformou, no Brasil, num dos orixás mais populares, tanto no candomblé, onde se tornou o rei da nação Queto, quanto na umbanda, onde é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião.
Ibualama, Inlè ou Erinlè - escultura de Carybé em madeira (Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, no Brasil)
Seu habitat é a floresta, sendo simbolizado pela cor verde na umbanda, e recebendo a cor azul clara no candomblé, mas podendo usar, também, a cor prateada nesse último. Sendo assim, roupas, guias e contas costumam ser confeccionadas nessas cores, incluindo, entre as guias e contas, no caso de Oxóssi e, também, seus caboclos, elementos que recordem a floresta, tais como penas e sementes.
Seus instrumentos de culto são o ofá (arco e flecha), lanças, facas e demais objetos de caça. É um caçador tão habilidoso que costuma ser homenageado com o epíteto "o caçador de uma flecha só", pois atinge o seu alvo no primeiro e único disparo tamanha a precisão. Conta a lenda que um pássaro maligno ameaçava a aldeia e Oxóssi era caçador, como outros. Ele só tinha uma flecha para matar o pássaro e não podia errar. Todos os outros já haviam errado o alvo. Ele não errou, e salvou a aldeia. Daí o epíteto "o caçador de uma flecha só". Come tudo quanto é caça e o dia a ele consagrado é quinta-feira.
Oxossi Ibualama: Como os demais Oxóssi, é caçador, rei de Queto e usa ofá (arco e flecha), mas se veste de couro, com chapéu e chicote.
Um Oxóssi azul, Otim, usa capanga e lança. Vive no mato a caçar. Come toda espécie de caça, mas gosta muito de búfalo.
Apesar de ser possível fazer preces e oferendas a Oxóssi para as mais diversas facetas da vida, é justamente pelas características de expansão e fartura desse orixá, que os fiéis costumam solicitar o seu auxílio para solucionar problemas no trabalho e desemprego. Afinal, a busca pelo pão de cada dia, a alimentação da tribo, costumeiramente cabe aos caçadores.
Mãe Stella de Oxóssi
Por suas ligações com a floresta, pede-se a cura para determinadas doenças e, por seu perfil guerreiro, proteção espiritual e material. É o senhor da inteligência, do conhecimento, da sabedoria e da curiosidade. Dizem os mais antigos que Oxóssi é o único orixá que conhece o segredo do mundo fora os Funfuns e Onilé, pois quebrou todos os tabus do mundo. Por isso, nada passa desapercebido por Oxóssi.
Arquétipo
O filho de Oxóssi é pouco conservador, possui múltiplos interesses, não analisa qualquer assunto por um tempo maior, sua atuação seria, partindo do interesse que algo lhe provoca, observar, emitir um conceito próprio e ir adiante, atrás de novidade. Não consegue se deter tempo suficiente para conhecer profundamente algum assunto, mais conhece um pouco de tudo. Gosta de companhia, faz parte do seu temperamento alegre. As crianças o adoram, dá bastante liberdade e as estimula a variar a suas atividades, embora seja falho no lado disciplinar. Não é ciumento e não quer ser alvo de ciúmes nem quer que sua liberdade seja tolhida por causa dele, alguns filhos de Oxóssi com problemas emocionais e profissionais passam por períodos de depressão, pode ser vitima de tramas traiçoeiras e pode ter atos e palavras mal interpretados.
A filha de Oxóssi é uma intelectual, embora administre bem o seu lar passa pouco tempo dentro dele, prefere o ambiente profissional ou a vida em sociedade. O homem que se casa com essa mulher casa com muitas mulheres diferentes ao mesmo tempo, pode surpreender sempre é criativa divertida, curiosa por qualquer novidade, fiel e dedicada, variar é seu ponto forte a parte física de uma relação é a que menos interessa a mulher de Oxóssi ela se aproxima de alguém que a atraia mental e espiritualmente. Gosta de discutir, é muito temperamental é petulante e fala para ferir quando está brigando. Como mãe, é maravilhosa. Ensinará aos filhos a independência, será imaginativa e amorosa e organizará para eles muitas atividades estimulantes . A traição não está na natureza da filha de Oxóssi ela jamais sacrificaria lar e filhos por uma aventura.
Qualidades de Oxóssi
Cada filho de Oxóssi é iniciado com uma qualidade especifica desse orixá, de acordo com sua personalidade. Essa personalidade será aprimorada, intensificada podendo o individuo obter resultados mais satisfatório dentro das qualidades do seu orixá. Oxóssi expande os limites, sendo a caça uma metáfora para a obtenção de conhecimento, Oxóssi conduz ao êxito do objetivo.
Ibualamo – É de idade avançada e caçador. Nasce nas águas mais profundas do rio Irinlé. Sua vestimenta é branca com bandas, saiote e capacete de palha da costa. Tem ligação com Omolu e Oxum. Seu assentamento se difere de todos.
Inlê – É novo e caçador, tem seu culto as margens do rio Irinlé, conhecido com caçador de Elefantes, o marfim é a sua conta, tem ligação com Oxuns, Oxaguiã e Iemanjá.
Dana Dana – Tem fundamento com Exu e Oçânhim. É ele o orixá que entra na mata da morte e sai sem temer Egum e a própria morte. Veste azul claro, muito impetuoso e foge à toa.
Acuerã – Tem fundamento com Ogum e Oçânhim. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são verdes claras.
Otim – Guerreiro e muito agressivo, vive intocado na mata, ligado a Ogum. Usa azul claro, leva capangas, roupas de couro de leopardo.
Coifé – Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Oçânhim e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto.
Caré – é ligado as águas e a Oxum e Logunedé e com eles exercem as mesmas forças e funções. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.
Insseuê ou Oni Seuê – É o senhor da floresta, ligado as folhas e a Oçânhim, com quem vive nas matas. Veste azul claro, e banda de palha da costa, usa capacete quase tapando o seu rosto.
Inculê (Ínkúlè) ou Oni Culê - Odé das montanhas, de culto no platô das serras, muito ligado a Oxaguiã e Jagum, veste verde claro, turquesa.
Infami ou Infaim Odê funfum, ligado a Oxaguiã e Oxalufã, só usa branco e come abado.
Ajenipapo - Odé ligado as Iyamis Osorongá, aquele que pode se aproximar e também a Oiá, o dono do iruquerê.
Oreluerê - Ligado aos Iobôs, odé de culto antigo.
Ibo - O caçador da floresta. Abandonou todos para viver isolado nas matas. É erroneamente dito que é o mesmo de Ibualamo, porém não são os mesmos. IBUALAMO significa água profunda, enquanto IGBO significa floresta.
Poderemos encontrar ainda: Odé Etetú; Odé Edjá, Odé Isanbò, Odé Ominòn, Odé Oberun’Já.
7 folhas mais usadas paraOxóssi
Na crença das religiões africanas cada orixá tem suas folhas que lhe são oferecidas nos ritos e cultos. Todas as folhas tem o seu poder e são extremamente necessárias para o orixá, pois se torna impossível realizar qualquer tipo de ritual sem elas, existe até um termo que diz: ko si ewe, ko si Orixa traduzindo significa sem folha, sem orixá.
Folhas para Oxóssi:
Euê odéAcocôOdé acoxuEtitaréItetéIbá ajáBujê
Pierre Verger explica que por tempos o sincretismo foi utilizado como mascara para a sobrevivência dos cultos afro-brasileiros, os africanos mantinham essa relação com os santos católicos, após serem "evangelizados", como um disfarce para manter sua cultura. O que acontecia na época era somente um sincretismo aparente, termo usado por Verger, Oxóssi era a entidade cultuada, os santos relacionados a ele não tinham espaço nos seus rituais nem nas suas cantigas. Em Pernambuco foi relacionado com o Arcanjo Miguel, na Bahia foi relacionando a São Jorge, e no centro-sul com São Sebastião. Em Salvador, no dia de Corpus Christi, é realizada uma missa chamada de "missa de Oxóssi", com a participação das ialorixás do candomblé da Casa Branca do Engenho Velho.
XANGÔ
Orixá da justiçaPais: Torossi e Oraniã Cônjuges: Obá, Iansã e OxumInstrumento: oxê (machado com duas lâminas)Sincretismo: São Pedro, São João e São Jerônimo na Umbanda
Xangô (em iorubá: Ṣàngó) ou, na Bahia, Badé, é o orixá da justiça, dos raios, do trovão e do fogo. Foi rei na cidade de Oió, identificado no jogo do merindilogum pelos odus obará e ejilaxeborá e representado material e imaterialmente no candomblé através do assentamento sagrado denominado ibá de Xangô. Pierre Verger dá, como resultado de suas pesquisas, que Xangô, como todos os outros imolês (orixás e eborás), pode ser descrito sob dois aspectos: histórico e divino. "Xangô" é um termo procedente da língua iorubá.
Como personagem histórico, Xangô teria sido o quarto alafim de Oió (rei). Ficou órfão de mãe muito cedo, não chegou a conhecer sua mãe, Torossi. Antes dele assumir o trono, o seu pai já havia sido o primeiro Rei. Logo depois veio o seu irmão, Dadá Ajacá, porém seu reinado foi mal sucedido. Após isso, o tutor de Xangô foi quem assumiu o trono, se tornando o terceiro Rei. Porém ela era um governante muito impiedoso, ruim, não gostava de crianças, era injusto e tinha péssimos planos para Oió. Por fim, o povo implorava para que ele fosse destronado ou que largasse esse posto, foi aí que Xangô tomou o trono e se tornou o quarto Rei. Todos comemoravam e pulavam de alegria. Xangô foi um Rei justíssimo, de caráter ímpar, tinha ótimos projetos para a sociedade, era muito elogiado por todos os cidadãos e, apesar de ser muito sério e carrancudo, ele era um ser muito bondoso. Xangô teve várias divindades como esposas, as mais conhecidas são: Oiá, Oxum e Obá.
Xangô é o orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de xangô.
Sacerdote de Xangô - MabáSacerdotisa de Xangô - IamabáAtabaque de Xangô - IlubatáToque favorito - AlujáFruto favorito - orobôBichos - Acuncô, Agutã, AjapáComida - Amalá
Ao se manifestar nos Candomblés, não deve faltar em sua vestimenta uma espécie de saieta, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos Eguns. Xangô criador de Culto a egungum. Xangô é o fundador do culto aos Eguns, somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itã:
“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô a frente, as Iami-Ajé fizeram roupas iguais as de egungum, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto, todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou desafiando os supostos espíritos. As Iamis ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança, em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de obi, e foi aí que as Iamis-Ajé atacaram, derrubaram a Adubaiani filha de Xangô que ele mais adorava.
Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino que até então era muito próspero, foi até Orumilá, que lhe disse que Iami é quem havia matado sua filha, Xangô quis saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orumilá lhe disse para fazer oferendas ao Orixá Icu (Oniborum), o guardião da entrada do mundo dos mortos, assim Xangô fez, seguindo a risca os preceitos de Orumilá. Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para si o controle absoluto dos mistérios dos egunguns (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos Eguns, e se tornando estritamente proibida a participação de mulheres neste culto, caso essa regra seja desrespeitada provocará a ira de Olorum. Xangô , Icu e dos próprios Eguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais.”
Xangô foi o quarto rei lendário de Oió, na Nigéria, tornado orixá de caráter muito justo, violento e vingativo, cuja manifestação são o fogo, os raios, os trovões. Filho de Oraniã e Torossi, teve várias esposas, sendo as mais conhecidas: Oiá, Oxum e Obá. Xangô é viril e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Sua ferramenta é o Oxê: machado de dois gumes.
Orixá do fogo e dos trovões, Xangô foi um grande rei que unificou todo um povo. Foi ele quem criou o culto de egungum. Muitos orixás possuem relação com os egunguns mas ele é o único que, verdadeiramente, exerce poder sobre os mortos, egungum. Xangô é a roupa da morte, Axó Icu: por este motivo, não deve faltar nos ebós de Icu e Egum, o vermelho lhe pertencendo. Ao se manifestar nos candomblés, não deve faltar, em sua vestimenta, uma espécie de saieta de tiras chamada banté, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos eguns.
Xangô era forte, valente, destemido e justo. Era temido, e ao mesmo tempo adorado. Comportou-se em algumas vezes como tirano, devido a sua ânsia de poder, chegando até mesmo a destronar seu próprio irmão, para satisfazer seu desejo. Filho de Iamacê (Torossi) e de Oraniã, foi o regente mais poderoso do povo iorubá. Ele também tem uma ligação muito forte com as árvores e a natureza, vindo daí os objetos que ele mais aprecia, o pilão e a gamela; o pilão de Xangô deve ter duas bocas, que representam a livre passagem entre os mundos, sendo Xangô um ancestral (egungum). Da natureza, ele conseguiu profundos conhecimentos e poderes de feitiçaria, que somente eram usados quando necessário. Tem também uma forte ligação com Oxumarê, considerado por ele como seu fiel escudeiro.
Xangô é cultuado no Brasil sob 12 qualidades. Vale salientar que muitos seguem cegamente as ditas qualidades de Xangô da Bahia, e não é bem assim: por exemplo, Airá é um outro orixá que não se dá com Xangô. Reza a lenda que Airá era muito próximo de Xangô, e quando Oxalufã, em visita ao reino de Xangô, foi erroneamente confundido com um ladrão, teve suas pernas quebradas e foi preso. Uma vez Xangô percebendo o engano, mandou que o tirassem da prisão, o limpassem e dessem a ele vestimentas condizentes com a grandiosidade de Oxalufã, porém Oxalufã estava viajando e teria ainda outros lugares para ir.
Por ser muito velho e agora com as pernas tendo sido quebradas, a locomoção havia sido afetada, fazendo que Oxalufã andasse curvado e muito vagarosamente. Xangô, então, mandou que Airá levasse Oxalufã nas costas até a próxima cidade. Airá, percebendo ali a sua grande oportunidade, durante o caminho se voltou contra Xangô, falando a Oxalufã que Xangô sabia que ele estava preso, acabando por ganhar a confiança de Oxalufã, que o tomou para si; razão pela qual Airá usa branco, mas não é um fum-fum. Xangô, que não suporta traições, se irritou com a atitude de Airá, cortando relações com ele. Desde então, eles jamais devem ser cultuados juntos ou mantidos na mesma casa.
Xangô costuma ser sincretizado com São Jerônimo, Santa Bárbara e São Miguel Arcanjo.
As qualidades de Xangô são estas:
Afonjá - Afonjá, o balé (governante) da cidade de Ilorim. Afonjá era também Arê Oná Cacanfô, quer dizer líder do exército do império. Segundo a história de Oió, no início do século dezenove, Oió era governada pelo rei Aolé, ele possuía aliados que eram espécies de Generais, que lhe davam todo o tipo de apoio mantendo assim o poder absoluto sobre o Reino Iorubá e os reinos anexados. Mas um dia um desses generais resolveu se rebelar contra Oió e se unir com os inimigos, esse general se chamava Afonjá que era conhecido como Cacanfô de Ilorim. Declarou-se independente de Oió. Com isso o Rei de Oió Aolé se envenenou para não ver o desmembramento do Império. Afonjá traiu o Império Iorubá, mas, quando, os rebeldes assumiram o poder, Afonjá foi decapitado em 1.823 pelo seu novo aliado. Este alegou que, se um homem traiu seu antigo rei, ele voltaria a trair tantos outros.
Obá Cossô - Título que Xangô recebe ao fundar a cidade de Cossô nos arredores de Oió, tornando-se seu Rei. Título dado também a Aganju, irmão gêmeo de Xangô quando de sua chegada em Oió foi aclamado como o Rei Não se Enforcou, Obá Cossô.
Obá Lubê - Título de Xangô que faz referência a todo o seu poder e riqueza, pode ser traduzido como Senhor Abastado.
Obá Irù ou Barù - Título dado a Xangô logo após chegar ao apogeu do império, quando cria o culto de egungum, é aclamado como a forma humana do Orixá primordial Jacutá sobre a terra, senhor dos raios, tempestades, do Sol e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destruir a capital do Reino numa crise de cólera e depois arrependido, se suicida, adentrando na terra.
Obá Ajacá - Também intitulado Baiâni," O pai me escolheu ", que faz referência a ele por ser o filho mais velho de Oraniã, e ter por direito que assumir o trono, irmão mais velho de Xangô.
Obá Aganju - Aganju representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.
Obá Orungã - Filho de Aganju Solá e Iemanjá, Orungã é dono da atmosfera é o ar que respiramos, dono da camada que protege a Terra. Ver mais abaixo.
Obá Ogodô - Muito falado também, é apenas o que se diz sobre Xangô, pois, Ogodô é o verbo bocejar. Então, quando está trovejando, o que se diz é que Xangô está bocejando. Dai Xangô Ogodô, é apenas um título de Xangô.
Obá Jacutá - Jacutá, é a representação da justiça e da ira de Olorum, míticamente Xangô foi iniciado para este Orixá sendo considerado como a forma divina primordial do mesmo. Ele foi enviado em sua forma divina por Olorum para estabelecer a ordem e submeter Odudua e Oxalá aos planos da criação durante um momento de conflito entre as divindades. É o próprio Xangô.
Elementos do culto
Saudação: Kawó-Kabiesilé (saudação é a forma com que os orixás são reverenciados) que significa: Saudações ao Rei! ou Salve o Rei!
Cores:
Vermelho e Branco ou Vermelho e Marrom ou Marrom e Preto ou Marrom e Branco ou somente Marrom ou vermelho. As cores representam os Orixás, e podem variar segundo a linha religiosa;
Dia da Semana: Quarta-Feira;
Elementos: Fogo, Vulcões, Tempestades, Sol, Trovões, Terremotos, Raios, criador do Culto de egungum, senhor dos mortos, desertos e formações rochosas;
Elemento Livro: os livros representam Xangô porque este orixá está ligado as questões da razão, do conhecimento e do intelecto. Bem como a justiça e o direito;
Ferramenta: Oxê, machado duplo de duas lâminas laterais feito e esculpido em madeira ou metal;
Pedra: Edun Ara (Formações rochosas de diferentes tamanhos que se criam ao trovão atingir o solo; pedra que se forma ao cair trovões na terra).
Domínios: Justiça, poder estatal, questões jurídicas, pedreiras;
Oferendas: Amalá, cágado, carneiro, e algumas vezes cabrito. Tem preferência por Orobô, mas não recusa Obi, como muitos imaginam;
Dança: Alujá, a roda de Xangô. São vários toques que falam de suas conquistas, seus feitos, suas mulheres e seu poder e domínio como Orixá.
Animais associados a Xangô: Cágado, Falcão, Águia, Carneiro e Leão.
Xangô (Changó) é uma das deidades da religião iorubá. Na santería, sincretiza com Santo Antônio.
Xangô é um dos mais populares orixás do panteão ioruba. É considerado orixá dos trovões, dos raios, da justiça, da virilidade, da dança e do fogo. Foi, em seu tempo, um rei tirano, guerreiro e bruxo, que, por equívoco, destruiu sua casa e a sua esposa e filhos e logo se converteu em orixá.
Orixá da justiça, da dança, da força viril, dos trovões, dos raios e do fogo, dono dos tambores Batá, Wemileres, Ilú Batá o Bembés, da festa e da música; representa a necessidade e a alegria de viver, a intensidade da vida, a beleza masculina, a paixão, a inteligência e as riquezas.
O Orixá
Xangô é chamado Jacutá (o lançador de pedras) e Obacossô (rei de Cossô). Foi o quarto rei de Oió e também o primeiro awó, trocou o axé da adivinhação com Orumilá pelo da dança, é dono também dos tambores Batá, Wemileres, Ilú Batá o Bembés.
Família
Foi esposo de Obá, Oiá e Oxum. Foi filho de Obatalá e Agaiu Solá, mas em outros caminhos se registra como de Obatalá Ibaíbo e Iembô ou de Obatalá e Odudua, mas em todos os caminhos considera-se criado por Iemanjá e Dadá. Irmão do último, Ogum, Oxum, Eleguá e Oxóssi
Oferendas
As oferendas a Xangô incluem amalá, feito a base de farinha de milho, leite e quimbombó (quiabo), bananas verdes, banana indio, otí (aguardente), vinho tinto, milho tostado, cevada, alpiste, etc. Imola-se carneiros, galos, codornas, tartarugas, galinha de guiné, pombas, etc
Pataqui (Itã) de Xangô
Furioso com os seus descendentes ao saber que Ogum havia querido ter relações com sua própria mãe, Obatalá ordenou executar a todos os varões. Quando nasceu Xangô, Eleguá (seu irmão) levou-o escondido para sua irmã mais velha, Dadá, para que o criasse. Em pouco tempo, nasceu Orumilá, o outro irmão. Eleguá, também temeroso da ira de Obatalá, o enterrou ao pé de uma árvore e lhe levava comida todos os dias. O tempo passou e, um belo dia, Obatalá caiu enfermo. Eleguá buscou rápido a Xangô para que o curasse. Logo que o grande médico Xangô curou seu pai, Eleguá aproveitou a ocasião para implorar de Obatalá o perdão de Orumilá. Obatalá cedeu e concedeu o perdão. Xangô, cheio de alegria, cortou a árvore e, dela, entalhou um belo tabuleiro e junto com ele, deu, a seu irmão Orumilá, o dom da adivinhação. Desde então, Orumilá diz: "Maferefum (benção) Eleguá, maferefum Xangô, Elebará." Também pela mesma razão a equelê (moeda usada na Guiné Equatorial) de Orumilá leva, na soldadura, um fragmento do colar de Xangô (branco e vermelho) por uma ponta. Desde então, Orumilá é o adivinhador do futuro como intérprete do oráculo de Ifá, dono do tabuleiro e conselheiro dos homens.
IEMANJÁ
Iemanjá (Yemọjá na Nigéria, Yemayá em Cuba ou ainda Dona Janaína no Brasil; ver seção Nome e Epítetos) é o orixá dos ebás, divindade da fertilidade originalmente associada aos rios e desembocaduras. Seu culto principal estabeleceu-se em Abeocutá após migrações forçadas, tomando como suporte o rio Ogum de onde manifesta-se em qualquer outro corpo de água. Também é reverenciada em partes da América do Sul, Caribe e Estados Unidos. Sendo identificada no merindilogum pelos Odus irossum, Ossá e Ogundá, é representada materialmente pelo assentamento sagrado denominado Ibá de Iemanjá. Manifesta-se em iniciados em seus mistérios (eleguns) através de possessão ou transe.
Iemanjá
Yemoja Abayomi Barber.jpg
Estátua representado Iemanjá, na Galeria Nacional de Arte, na Nigéria.
Yemanjá . Yemonjá . Yemọjá . Yemayá
Atributos
Mãe dos peixes, divindade da fertilidade, maternidade e das águas dos rios. Protetora das crianças e idosos. Padroeira dos pescadores.
Símbolos
abebé prateado, alfange, agadá (espada), obé (espada), peixe, couraça de guerra, adê (coroa com franjas de miçangas), idés (braceletes ou pulseiras de argola), pedras do mar e conchas
Sincretismo
Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos Navegantes,
É reverenciada no Candomblé, Santeria, Umbanda, Xangô de Pernambuco, Batuque, Xambá, Culto Tradicional de Ifá, Regla de Ocha, Omolocô, Terecô, Vodu haitiano e Vodu da Luisiana.
Celebrada em Ifé como filha de Olocum a divindade dos mares, essa simbiose lendária foi enaltecida no processo da diáspora africana resultando na assimilação de Iemanjá dos atributos da água salgada, sendo o motivo para a sua associação aos mares no Novo Mundo. Com o sincretismo de outras divindades e de influências europeias, foi imbuída de inúmeros atributos e poderes em uma grande variedade de cultos. O seu arquétipo maternal consolidou-se sobretudo como Mãe de todos os Orixás. Iemanjá nas palavras de D. M. Zenicola, "representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo".
No Brasil considerado o orixá mais popular festejado com festas públicas, desenvolveu profunda influência na cultura popular, música, literatura e na religião, adquirindo progressivamente uma identidade consolidada pelo Novo Mundo conforme pode ser observado em suas representações nos mais diversos âmbitos que em sua imagem reuniram as "três raças". Figura na Dona Janaína uma personalidade à parte, sedutora, sereia dos mares nordestinos, com cultos populares simbólicos e acessíveis que muitas vezes não expressam necessariamente uma liturgia. Nessa visão, segundo T. Bernardo Iemanjá "(...)é mãe e esposa. Ela ama os homens do mar e os protege. Mas quando os deseja, ela os mata e torna-os seus esposos no fundo do mar".
Nome e Epítetos
"Iemanjá", nome que deriva da contração da expressão em iorubá Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes") ou simplesmente Yemọjá em referência a um rio homônimo cultuado nos primórdios do culto deste orixá. Na Nigéria, Yemọjá pronuncia-se com o som de "djá" na última sílaba. A versão lusófona amplamente mais aceita no âmbito acadêmico é Iemanjá, por vezes também assume a grafia de Yemanjá onde a letra inicial alude a origem do nome. Isso também observa-se no caso de Yemayá na Santeria em Cuba. No odu Ogundá é chamada de Mojeleu (Mọjẹlẹwu), esposa de Oquerê, rei de Xaqui. Também é conhecida como Aleyo na mesma região de Ebadó, Aietoró, Igã e Ocotó. Em Trindade e Tobago é chamada de Emanjá (Emanjah) ou Amanjá (Amanjah), e Metre Sili ou Agué Toroió (Agué Toroyo) na República Dominicana.
O seu nome na cultura popular brasileira Dona Janaína a Mãe d'água é associado por alguns autores a uma origem indígena mas não evidenciam seu significado ou grupo linguístico. No guarani existe Jara, pronúncia correta de Iara, significando, segundo M. A. Sampaio, "senhor, senhora, dono, dona, proprietário, proprietária. Não quer dizer 'senhora das águas'. Para esse termo, seria Y-jara: Y- água; jára, senhor ou senhora." Tal alusão à figura mitológica brasileira de Iara justificaria dois títulos em comum, Mãe d'Água e Sereia, e sua origem explica por que é tratada por "Dona". Lenz, H. Goldammer em seu dicionário de tupi e guarani identifica Janaína como corruptela de ja nã inã, que significaria "costuma ser semelhante ao solitário" ou "Rainha do Mar" em uma tradução livre do Tupi. O dicionário Houaiss registra a explicação da composição do nome por Olga Cacciatore como de origem iorubá: iya, "mãe" + naa, "que" + iyin, "honra". M. C. Costa, em um artigo referente, localiza sua origem no diminutivo de Jana, expressão portuguesa para Anjana, ser mitológico ligado às Xanas, uma espécie de fada ou ninfa da mitologia asturiana que vive nos rios, fontes e mananciais. Já outro nome Inaê é segundo Édison Carneiro apenas aférese de Janaína com mais um "ê" eufônico.
Iemanjá também assume diversos epítetos e títulos em sua grande variedade de cultos. Segue uma lista incompleta, excluindo-se também qualidades e avatares (ver seção Qualidades e Avatares): Ayaba ti gbe ibu omi, rainha que vive na profundeza das águas; Ibu gba nyanri, regato que retém a areia; Oloxum (Olosun), regato vermelho; Ibu Alaro, regato negro (anil); Olimọ, dona da folha de palmeira; Onilaiye, dona do mundo; Onibode Iju, guardiã da floresta; mãe de Minihun (Iya ominihun), em referência a minihun que é o nome que se dá às crianças que acredita-se concebidas graças a Iemanjá; Ayaba lomi o, rainha na água; Iá Ori, mãe da cabeça Rainha do Mar, Sereia. Outras referências como Aiocá ou Princesa de Arocá parecem corruptelas de Abeocutá, cidade principal do culto de Iemanjá.
Mito
Muitos atributos e códigos morais de Iemanjá podem ser verificados em suas cantigas e oriquis, tradições orais entre os iorubás, seus itãs ou mitos e demais tradições também se preservaram de mesmo modo, estando segundo R. Ogunleye suscetíveis às limitações da memória e à extinção de saberes com a morte dos que a preservam. Com a perda de muitos de seu culto durante as guerras sofridas pelos ebás, que resultaram na sua migração para uma nova região, não é espantoso que seus mitos originais só aludam ao suporte de seu culto na nova localidade, o rio Ogum e não seu predecessor como adiante verificamos.
Os primeiros registros literários de seus mitos assim, como de alguns outros orixás, foram prejudicados por diversos equívocos. A. B. Ellis a ela associa uma gênese incestuosa influenciada por P. Baudin e repetida diversas vezes por autores como R. E. Dennett, Stephen Septimus Farrow, Olumide Lucas e R. F. Burton influenciados uns pelos outros, e ecoada no Brasil por Arthur Ramos e Nina Rodrigues. P. Verger inicialmente influenciado por tais mitos já alertava que os mesmos não eram mais conhecidos ou possível de se verificar na costa da África e posteriormente conclui tratar-se de uma série de equívocos e os rebate duramente em obras posteriores. Essas influências ocidentais imprecisas refutadas por Verger aderiram na interpretação de Iemanjá em sua associação com a gênese do mundo, sendo objeto de estudo assim retomado por diversos autores que vêem em Iemanjá unida a Aganju (apresentado como irmão e marido) e posteriormente violada pelo filho, uma síntese da cosmogonia iorubá, passando a figurar como "mãe de todos os orixás" tal como apresentado por Poli ou culminando na visão poética de Prandi com Iemanjá ajudando pessoalmente Olodumarê na construção do mundo.
Para Poli, mesmo a concepção de Iemanjá que vislumbramos na obra de Verger é uma divindade já sincrética, como podemos conferir em sua associação a Ieuá e também Ieiemouô. Tal confusão não é grave no seu culto no Brasil por exemplo, onde Iemanjá tornou-se em uma nova interpretação segunda esposa de Oxalá -uma concepção dos mesmos de Obatalá-, formando o casal da criação. Alguns autores, como L. Cabrera em sua memorável explanação e abordagem sobre Iemanjá e Oxum, abordaram essa visão da diáspora centrada no seu novo contexto social, cultural e histórico, como é o caso de Cuba na análise da pesquisadora, não preocupando-se em um resgate propriamente a partir da origem.
No Novo Mundo, também observa-se uma moralização de sua figura em associação ao sincretismo com figuras do cristianismo,[46] segundo Sousa Junior: "O exemplo mais ilustrativo disso é a perda de características guerreiras em detrimento da exacerbação de elementos como virgindade, pureza e docilidade, ideais por excelência da figura da Virgem Maria (...)", quando não em determinados momentos assume os aspectos da sensualidade em demasia, de amante, confundida na figura de Iara mesclada com as sereias europeias. como podemos verificar na Dona Janaína da obra de Jorge Amado ou das canções de Dorival Caymmi (ver seção Iemanjá e a Música Popular Brasileira), ou mesmo no culto de Lá Sirène ou Mami Uata no Caribe (ver seção Sincretismo).
Seus mitos permaneceram relacionados as águas, muito embora o orixá possa ter passado dos rios aos mares como observamos no Brasil e em Cuba, seja em substituição de cultos de divindades esquecidas no processo de diáspora como o de Olocum que foi substituído no panteão afro-brasileiro por Iemanjá, ou o estreitamento demasiado dessas duas divindades de mesma família, como observamos cunhado na figura de Iemanjá Olocum (Yemayá Olokun) explorada por Cabrera.
Origens
Ògùn ó Yemonja, Ògùn ó Yemonja e lódò e lódò. Sà wè a Ògùn ó Yemonja. Ìyá àwa sé wè, Yemonja dò ó rere Yemonja.Ìyá àwa sé wè, Yemonja dò ó rere Yemonja.
O rio Ogum é de Iemanjá, o rio Ogum é de Iemanjá. Ela tem o rio, tem o rio que escolhemos para nos banharmos, o rio Ogum é de Iemanjá, mãe, vamos nos banhar, Iemanjá que o rio esteja bom, Iemanjá..
Ògùn ó Yemonja, Ògùn ó Yemonja e lódò e lódò.Sà wè a Ògùn ó Yemonja.Ìyá àwa sé wè, Yemonja dò ó rere Yemonja.Ìyá àwa sé wè, Yemonja dò ó rere Yemonja.
O rio Ogum é de Iemanjá, o rio Ogum é de Iemanjá. Ela tem o rio, tem o rio que escolhemos para nos banharmos, o rio Ogum é de Iemanjá, mãe, vamos nos banhar, Iemanjá que o rio esteja bom, Iemanjá...” — Xirê de Iemanjá
Ori Olocum (Cabeça de Olocum), bronze descoberto em Ifé por Leo Frobeniu
Iemanjá, em seu culto original, é um orixá associado aos rios e desembocaduras, à fertilidade feminina, à maternidade e primordialmente ao processo de gênese do Aiê (mundo) e a continuidade da vida (emi. Também é regente da pesca, e do plantio e colheita de inhames. P. Verger, em seu livro Dieux d'Afrique, registra: "é o orixá das águas doces e salgadas dos ebás, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadã, onde existe ainda o rio Iemanjá. As guerras entre nações iorubás levaram os ebás a emigrar na direção oeste, para Abeocutá, no início do século XIX. (...) O rio Ogum, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá." Após a guerra entre os ebás e os daomeanos, sobraram poucas pessoas desse culto, tendo em vista a dispersão ou mesmo prisão destes pelos inimigos. Segundo R. Ogunleye, "Não está claro se o rio Ogun precede Yemoja ou se Yemoja trouxe o rio Ogun a existir para que ela pudesse criar um quartel-general como um assento de seu governo. Seja qual for o caso, o rio Ogun tem vindo a ser aceito pelos iorubás como o "quartel-general" de Yemoja. De seu trono lá, ela se manifesta em qualquer outro corpo de água". A referência da guerra e da fuga dos ebás reflete-se em sua mitologia.
Os principais relatos mitológicos de Iemanjá se desenrolam com os orixás primordiais da criação iorubá do mundo. Evidenciou-se na segunda metade do século XX um consenso entre autores de que Iemanjá é filha da divindade soberana dos mares e oceanos Olocum (esta última uma divindade feminina em Ifé e masculina no Benim), sendo esse vínculo celebrado na cidade de Ifé, considerado como berço da civilização iorubá. R. Ogunleye alude sua origem também a partir de Olorum (Olodumarê), divindade do Orum. Se constata então como filha da união mitológica conturbada de Olocum e Olorum e irmã de Agué-Xalugá. Olocum pelo caráter instável e destrutivo foi atada ao fundo do oceano em seus domínios após uma tentativa de dilúvio frustrada por Olorum, E. L. Nascimento menciona, ao referir-se ao temor aos aspectos antissociais ou negativos dos Orixás femininos, "Iemanjá, igualmente, representa em seu aspecto perigoso a ira do mar, a esterilidade e a loucura". Não obstante, é muito frequente referências a natureza benéfica de Iemanjá, L. Cabrera assim defende: "Sem deformar essa definição encantadora e irrefutável, podemos imaginar Iemanjá emanada de Olocum, com seu poder e suas riquezas, mas sem as características tremebundas que o associam mais à morte do que à vida, como sua manifestação feminina - Iemanjá é muito maternal - e benéfica". Na cosmologia e gênese de A. B. Ellis influenciada por P. Baudin é filha da união de Obatalá com Odudua numa manifestação feminina.
P. Verger aponta sua primeira união com Orumilá, o orixá dos segredos (essa união é amplamente celebrada no culto de ifá afro-cubano com diferentes itãs registrados por L. Cabrera, mas é negada por W. Abimbọla), relação que pouco durou uma vez que Orumilá a expulsa e acusa de quebrar o euó que proíbe o acesso de mulheres aos Odus e o manuseio dos objetos sagrados de Ifá. L. Cabrera registra: "Orumilá teve de assistir a uma reunião de dezesseis awós, convocada por Olofi. Ela ficou em casa e a todos que iam consultar seu marido, em vez de dizer-lhes que esperassem sua volta, ela fazia passar adiante e adivinhava para eles. (...)quando este voltou, todos lhe pediam quem Iemanjá olhasse para eles. Orumilá explicava que as mulheres não podem jogar Ifá. Eles iam embora... e não voltavam mais".
Posteriormente, Iemanjá foi casada com o Alafim Odudua criador do mundo e rei de Ifé, com a qual teve dez filhos. Alguns dos nomes enigmáticos de seus filhos parecem corresponder a orixás, Verger apresenta dois exemplos: "Òsùmàrè ègò béjirìn fonná diwó" (o arco íris que se desloca com a chuva e guarda o fogo nos seus punhos), e "Arìrà gàgàgà tí í béjirìn túmò eji" (o trovão que se desloca com a chuva e revela seus segredos). Iemanjá, cansada da vivência na cidade de Ilê Ifé governada pelo marido, decide-se fugir para o Oeste, para a "terra do entardecer". Antes de viver no mundo, Iemanjá recebera, de Olocum, sempre precavida pois "não se sabe jamais o que pode acontecer amanhã", uma vasilha contendo um preparado mágico com a recomendação de que, se algum caso extremo se sucedesse, Iemanjá o quebrasse no chão. Iemanjá, que já havia se instalado no entardecer da Terra, foi surpreendida pelo exército do alafim Odudua que estava a sua procura. Longe de se deixar capturar, quebrou a vasilha com o preparado conforme as indicações que recebera. O preparado mágico, ao tocar o chão, fez nascer, no mesmo lugar, um rio que levou Iemanjá novamente para okun, os oceanos de Olocum onde foi acolhida.
Outro mito sugere que foi casada com Oquerê, rei de Xaqui, cidade localizada ao norte de Abeocutá. Este mito parece complementar suas andanças após a fuga de seu casamento com Alafim Odudua. O mito se inicia com Iemanjá se instalando em Abeocutá que seria a terra do entardecer do mito anterior, e o desfecho muito se assemelha, com a presença da vasilha com o preparado mágico de Olocum. Iemanjá que "continuava muito bonita", despertou o desejo de Oquê que lhe propôs casamento. A união se sucedeu com a condição que Oquerê em nenhuma situação expusesse o tamanho da imensidão de seus seios ao ridículo. Mas Oquerê certo dia bêbado retorna para casa e tropeça em Iemanjá que o recrimina, e este não tendo controle das faculdades ou emoções, grita ridicularizando-lhe os seios. Iemanjá foge em disparada ofendida com o feito de Oquerê, que lhe persegue. Em sua fuga, Iemanjá tropeça quebrando a vasilha que lhe foi entregue e dela nasce o rio que lhe ajudará a chegar até o mar. Oquerê não querendo permitir a fuga da mulher se transforma numa colina que lhe barra o caminho para qualquer direção. Iemanjá uma vez com sua rota até o oceano bloqueada, clama pelo mais poderoso de seus filhos, Xangô.
Assim, Verger relata o seu desfecho: "(...)chegou Xangô com seu raio. Ouviu-se então: Cacará rá rá rá ... Ele havia lançado seu raio sobre a colina Oquerê. Ela abriu-se em duas e, suichchchch ... Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olocum. E aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em Terra".
Detalhe da escultura Iemanjá de Carybé, onde é possível notar orixás representados dentro do seu ventre, como Xangô com seu oxê e Ogum com sua espada está no Museu Afro-Brasileiro, Salvador, Bahia
Muito da interpretação de Iemanjá e de sua mitologia deve-se aos seus primeiros registros escritos como observa-se em P. Baudin e outros, o seu atributo de Mãe de todos os orixás é oriundo do relato de sua união com Aganju, da qual teria surgido o orixá Orungã, este último atraído pela mãe teria tentado possuí-la em um momento de ausência do pai. Da consumação do incesto ou da mera tentativa da mesma, sucedeu-se uma fuga da parte de Iemanjá, como noutros episódios, que horrorizada cai sobre a terra e de seus seios rasgados surgem dois lagos e sucede-se assim o parto coletivo de diversos orixás, juntamente do Sol e da Lua, porém este relato possui sérias inconsistências inclusive a menção a Olocum como o primeiro a nascer desse parto sendo que a sequência de nascimentos variam de um autor a outro e os desígnios dos orixás citados. L. Cabrera ao relatar este mito a partir de depoimentos de alguns santeiros sobrepõe em uma mesma figura duas divindades distintas, Iemanjá e Iemu, a sua Yemayá-Yemu esposa de Olorum que depois através de um Obatalá, Achupá, deu à luz os orixás e os dois astros anteriormente citados, esta abordagem é comparada pela a autora a outra versão obtida de uma informante em exílio de Iemanjá casada com Aganju, que muito se assemelha ao relato dos autores P. Baudin, A. B. Ellis, R. E. Dennett, Stephen Septimus Farrow, Olumide Lucas e R. F. Burton; Cabrera em nota lança luz quanto a este mito tratar-se de uma variação do mito de Iemu verdadeira mãe de Ogum e que o incesto teria sido praticado por este, o mesmo é afirmado por Natalia Bolívar Aróstegui e outros autores.
Verger, que não observa os relatos de A. B. Ellis na costa da África, considera um visão equivocada e extravagante a de padre Baudin, e que só teria cruzado o Atlântico através de Ellis. O mesmo registra: "Durante a pesquisa que fiz a partir de 1948 nos meios não letrados destas regiões da África, nunca encontrei vestígios das lendas inventadas por Rev. Padre Baudin". Atualmente, R. Prandi, que rejeita a visão de Verger, defende que o mesmo mito é de grande conhecimento por parte dos praticantes do culto ao orixá na Bahia, com a observação que os mesmos não conservaram o nome de Orungã. A visão de Prandi ignora a influência do acesso de religiosos a autores como Arthur Ramos, fortemente influenciado por T. J. Bowen e A. B. Ellis, e demais estudiosos que tentaram atuar como bastiões de resgate do que acreditavam ser a identidade dos negros já perdida. Como destaca Roberto Motta, o papel do antropólogo "se transforma em doutor da fé, descobridor ou inventor da tradição e da memória", esse aparecimento gradativo do mito entre os devotos é reforçado com a comparação de dois relatos de períodos distintos, pelo relato de Nina Rodrigues em 1934: “É de crer que esta lenda seja relativamente recente e pouco espalhada entre os nagôs. Os nossos negros que dirigem e se ocupam do culto iorubá, mesmo dos que estiveram recentemente na África, de todo a ignoram e alguns a contestam”, outra menção quanto ao desconhecimento generalizado do mito, mas o seu já aparecimento é a pesquisa do escritor Jorge Amado que se utiliza da metáfora de Iemanjá e Orungã para seu livro Mar Morto, o mesmo relata: "Não são muitos no cais que sabem da história de Iemanjá e de Orungã, seu filho."
Outro atributo que lhe foi associado foi o poder sobre as cabeças e portanto sobre o destino. Na crença iorubá, os aspectos que os seres humanos vivenciam em suas vidas são oriundos da escolha do ori (cabeça) que aplica o destino. Nessa tradição crê-se que após Obatalá modelar os seres, Ajàlá fornece a cabeça. Nas palavras de Abimbọla, "Ajàlá (outra existência sobrenatural que não é reconhecida como divindade) fornece o ori (cabeça) de sua loja de cabeças..." S. Poli evidencia que Ajàlá "É esquecido e descuidado e devido a isto nem sempre as cabeças saem boas. Como resultado disso a maioria das pessoas escolhem por si mesmas as cabeças sem recorrerem a Ajàlá e acabam assim por escolher cabeças ruins e imprestáveis", sendo devido a isso o motivo de serem necessários rituais como o bori para estabelecer o equilíbrio que o ori necessita. No Brasil a Iemanjá foi atribuída a tarefa da manutenção das cabeças, em especial no procedimento do bori tornando-se a Iá Ori ("Mãe das Cabeças"), a cerca disso R. Prandi nos explica: "Ajàlá está esquecido no Brasil, tendo sido substituído por Iemanjá, a dona das cabeças, a quem se canta, no xirê, quando os iniciados tocam a cabeça com as mãos para lembrar esse domínio, e na cerimônia de sacrifício à cabeça (bori), rito que precede a iniciação daquela pessoa".
Ilê Ori (casa de Ori), que contém o Ibo Ori, assentamento da cabeça, representação dentro do culto tradicional em Nigéria. No Brasil, um recipiente de louça que se usa como fundamento para fazer bori é chamado de Ibá de Ori de Ori
S. Epega defende o culto de Iemanjá como Iá Ori justificando o porquê dessa atribuição, ela relata:
"Quando Iemanjá veio do Orum [mundo ancestral] para o Aiê [planeta Terra], ao chegar descobriu que cada orixá já tinha seu domínio na terra dos homens, e nada havia sobrado para ela. Queixou-se a Olodumarê [deus criador], que disse a ela ser seu dever cuidar da casa de seu marido Obatalá [rei das roupas brancas], de sua comida, de sua roupa, de seus filhos. Iemanjá se revoltou. Ela não tinha vindo do Orum para o Aiê para ser dona de casa e doméstica. E tanto falou, tanto reclamou, que Obatalá foi ficando perturbado, até que finalmente enlouqueceu. Ao ver seu marido nesse estado, Iemanjá pensou na atitude que Olodumarê iria ter com ela quando chegasse do Orum. E procurou os melhores frutos, o óleo mais claro e encorpado, o peixe mais fresco, o Inhame mais bem pilado, um arroz bem branco, os maiores pombos brancos, o obi mais novo, o melhor atare, ekuru acabado de cozinhar, ori muito bom, os ibim mais claros, orobô macio, água muito fria, e com isso tratou a cabeça de Obatalá. Ele foi melhorando com os ebós, e um dia ficou completamente curado. Olodumarê chegou do Orum para visitar Obatalá. Falou a Iemanjá que havia visto tudo o que acontecera, e deu-lhe os parabéns por ter curado tão bem a cabeça de seu marido. Dali para frente, Iemanjá iria ajudar os homens que fizessem más escolhas de ori [destino, força vital], a melhorar suas cabeças, com uma oferenda determinada pelo oráculo de Ifá, através de Orumilá [deus do destino dos homens].”
Curiosamente em Cuba onde não há referência a posse desse atributo por Iemanjá, L. Cabrera consegue resgatar o seguinte mito:
"No começo do mundo, os Orixás e homens confabularam contra Iemanjá, que entrava na terra, a varria continuamente com suas ondas e a todos impunha respeito. Olorum disse a Obatalá: 'Vá ver de que acusam Iemanjá.' Eleguá, que ouviu a ordem recebida por Obatalá, disse a Iemanjá: 'Consulte-se com Ifá para que você confunda todos os seus inimigos.' Iemanjá seguiu o conselho de Eleguá, consultou Ifá e este indicou que ela fizesse um ebó (sacrifício) de carneiro. Obatalá chegou a Ilê-Ifé, a aldeia dos orixás e dos homens e, enquanto todos falavam, Iemanjá saiu do mar e avançou até o grande Orixá, mostrando-lhe a cabeça do carneiro. Obatalá pensou: 'É a única que tem cabeça!',e confirmou seu poder e grandeza."
Noutra versão, Iemanjá se encontra com Olorum na reunião por ele imposta aos Orixás e lhe presenteia com a cabeça de um carneiro e este ao perceber que ela era a única dos presentes a homenageá-lo diz: "Awoyó Orí dorí e". "Cabeça você traz, cabeça você será". A justificativa do mito seria que Iemanjá é "cabeça que pensa por si mesmo" e a autora não apresenta maiores justificativas para entendermos a simbologia nele expressa, no entanto R. Prandi e A. Vallado justificam esse relato como referência da tutela dos oris por parte de Iemanjá. L. Cabrera ao escrever sobre um mito que menciona Iemanjá novamente casada com Aganju evidencia Obatalá como dono das cabeças, atributo que Aganju sem sucesso teria tentado tomar para si.
Olukunmi Omikemi Egbalade, sumo-sacerdote do culto a Iemanjá em Ibadã, em entrevista, afirma não só a função do orixá em formar as cabeças juntamente a Obatalá, como seu papel de levar água para cuidar dos recém-nascidos modelados pelo último. A. Apter ao explorar o aspecto político de seu culto em Aiedê, em especial quanto a descrição do ritual da cabaça realizado pela sua alta sacerdotisa, escreve: "Yemoja frutificando a cabaça representa o útero da maternidade, a cabeça do bom destino, a coroa do rei, a integridade da cidade, mesmo o encerramento cosmológico do céu e da terra", o que não é discrepante com a afirmativa de S. Epega, "(...)no ritual de bori [bo ori - louvar a cabeça], Yemoja sempre é saudada com a cantiga; 'Ori ori ire, Yemoja ori orire, Yemoja' (Cabeça cabeça boa, Yemoja coloca boa sorte na cabeça, Yemoja)", ficando evidente algum aspecto do orixá quanto a cabeça.
Outro atributo ou símbolo muito utilizado e presente na interpretação de Iemanjá é a lua. R. Prandi relata que Iemanjá teria criado a lua para salvar o sol de extinguir-se, ele registra:
"Orum, o Sol andava exausto. Desde a criação do mundo ele não tinha dormido nunca. Brilhava sobre a Terra dia e noite. Orum já estava a ponto de exaurir-se, de apagar-se. Com seu brilho eterno, Orum maltratava a Terra. Ele queimava dia após dia. Já quase tudo estava calcinado e os humanos já morriam todos. Os Orixás estavam preocupados e reuniram-se para encontrar uma saída. Foi Iemanjá quem trouxe a solução. Ela guardara sob a saia alguns raios de Sol. Ela projetou sobre a Terra os raios que guardara e mandou que o Sol fosse descansar, para depois brilhar de novo. Os fracos raios de luz formaram um outro astro. O Sol descansaria para recuperar suas forças e enquanto isso reinaria Oxu, a Lua. Sua lua fria refrescaria a Terra e os seres humanos não pereceriam no calor. Assim, graças a Iemanjá, o Sol pode dormir. À noite, as estrelas velam por seu sono, até que a madrugada traga outro dia."
Em sua associação aos mares, Iemanjá através da lua e suas fases juntamente com a força do vento, que agita as águas, controlaria as marés. P. Iwashita ao discutir o arquétipo da maternidade e feminino afirma que "Por sua vez o mais importante símbolo para a Anima é a lua, por causa da relação entre as suas diferentes fases e o ciclo menstrual na mulher." Azevedo Filho em uma análise, justifica que pelas suas "diversas fases, que descrevem o ciclo contínuo de aniquilamento/regeneração, a lua se tornou, sem dúvida, o símbolo maior das variações no (do) tempo(...) Correlacionada portanto com Iemanjá, a lua representa ainda a zona noturna, inconsciente, obscura da psique humana, pulsões adormecidas, mas que revivem nos sonhos, nas fantasias e no desejo impossível, ao contrário do sol(...)."
Essa analogia entre a lua e os ciclos com aniquilamento/regeneração, é notável no mito registrado por L. Cabrera que relata a vingança de Iemanjá contra a humanidade que teria conspirado contra o seu primogênito, que foi sentenciado a morte e executado. Iemanjá tomada de ira (aqui consegue absorver as características e o objetivo de Olocum, mas com grande êxito), teria destruído a primeira humanidade, habitando nesse mito o contraste entre origem e destruição.
P. Verger, ao discutir os aspectos políticos do culto dos orixás na sociedade iorubá, relata: "O lugar ocupado na organização social pelo Orixá pode ser muito diferente se trata de uma cidade onde se ergue um palácio real, Afim (àáfin), ocupado por um rei, aladé, tendo direito a usar uma coroa, adé, com franjas de pérolas, ocultando-lhe a face ou onde existe um palácio, ilê Olojá, a casa do senhor do mercado de uma cidade cujo chefe é um balé que só tem direito a uma coroa mais modesta chamada acoró. Nesses dois casos, o Orixá contribui para reforçar o poder do rei ou do chefe. Esse Orixá está praticamente à sua disposição para garantir e defender a estabilidade e a continuidade da dinastia e a proteção de seus súditos". O orixá protetor de uma dinastia é amplamente celebrado pela mesma, sendo suas festividades tanto uma confirmação religiosa quanto política, como por exemplo, o festival de Oxum pelos soberanos de Oxobô. A respeito do aspecto político do culto de Iemanjá, A. Apter citando o festival de Aiedê registra que sua alta sacerdotisa que cuida da cabeça do regente, é quem habilita o indivíduo do rei e revitaliza seu corpo político, "Como qualquer símbolo dominante, ela abraça uma extensão de significados que vão desde bênçãos normativas e explícitas ('ela traz crianças e riqueza, ele mantém o rei saudável') para implícitas, temas proibidos de divisão e de derramamento de sangue, e é este último polo que é poderoso e profundo". Toda a integridade do governo, da sua legítima sucessão e da autoridade do regente é dependente do apoio de Iemanjá sua protetora e de suas sacerdotisas, que detém do poder de deposição de seu rei, assim como do mal destino, de ocasionar uma fissão política e pôr fim ao equilíbrio cósmico. "Tais temas negativos raramente são expressos em público, mas eles representam, porém, um repertório de interpretações potenciais que, sob certas condições, pode ser invocado para mobilizar a oposição contra o status quo. O profundo conhecimento do ritual real envolve realmente o rei no sacrifício e renascimento, em que seus ícones de poder pessoal e autoridade real são literalmente desmontados e remontados por sacerdotes e sacerdotisas autorizados," conclui A. Apter. P. Verger menciona que o seu cortejo em Ibará, "vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olubará, o rei de Ibará." Sobre esta ainda estreita relação entre o culto de Iemanjá e a realeza de Ibará, Omari-Tunkara registra: "Fiquei surpresa ao notar o elevado respeito do rei para a tradicional Religião iorubá e para a adoração de Yemọjá, apesar do fato de que era educado ocidentalmente e um professo, devoto cristão". Todas essas menções reforçam a influência de seu culto sobre as regiões de Abeocutá e suas dinastias.
Sobre o temor do poder da ancestralidade feminina reverenciada em Iemanjá, legitimada em sua própria mitologia, Omari-Tunkara explica: "Existem várias referências na literatura sobre os iorubás na África Ocidental para o papel de Iemanjá como Ajé ou Iami - nossa mãe (ou bruxa no pensamento ocidental). De acordo com Peter Morton-Williams (1960), Iemanjá é a mãe da feitiçaria. Em um estudo clássico, Deuses Negros e Reis, Thompson cita dois sacerdotes de alto escalão que enfatizam a estreita ligação de Iemanjá e Guelede, uma sociedade dedicada à apaziguar Iami: 'Guelede é a adoração de Iemanjá, deusa do mar e rio. As máscaras de Guelede representam ela e seus descendentes do sexo feminino', e Iemanjá é proprietária de Guelede'."
Um itã de Ifá justifica essa ligação de Iemanjá com a Sociedade Guelede. Ela não podia ter filhos e consultou o Oráculo de Ifá, que a aconselhou a oferecer sacrifícios e dançar com imagens de madeira em sua cabeça e tornozeleiras de metal em seus pés. Depois de realizar este ritual, ela ficou grávida. Seu primeiro filho era um menino, apelidado de "Efe" (humorista); a máscara Efe enfatiza música e brincadeiras por causa da personalidade de seu homônimo. O fruto do segundo parto de Iemanjá era uma menina, apelidada de "Guelede" porque ela era obesa como sua mãe. Também como sua mãe, Guelede adorava dançar. Depois de terem se casado, nem Guelede ou a parceira de Efe podiam ter filhos. O Oráculo de Ifá sugeriu que tentassem o mesmo ritual que tinha trabalhado com Iemanjá. Tão prontamente Efé e Guelede realizaram esta dança ritualística- com imagens de madeira em suas cabeças e tornozeleiras de metal sobre seus pés- eles começaram a ter filhos. Esses rituais desenvolvidos no Guelede de dança mascarada foi perpetuada pelos descendentes de Efe e Guelede. Esta narrativa é uma das muitas histórias que explica a origem do Guelede.
Outros Episódios
Em alguns mitos, Iemanjá teria sido mulher de Ogum, acompanhando-o em suas inúmeras campanhas de guerra com porte do facão (obé), mas insatisfeita com seu casamento com o orixá da guerra quis livrar-se dele. O mito registrado por L. Cabrera se inicia com a afirmativa que naqueles tempos quando Icu, a Morte, levava a vida de alguém não lhe sepultavam o corpo, e Iemanjá sabendo disso planejou tirar proveito. Fingiu tão bem as características e a rigidez da morte, que foi amortalhada pelo marido que a levou aos pés de Irocô, a grande árvore, conforme os costumes. Mal Ogum retira-se do local em luto, o amante de Iemanjá surge para libertá-la das amarras da mortalha, e ambos fogem juntos.
Passado algum tempo, Iemanjá voltou a vender seus bolos, olelé e ekrú no mercado ao qual estava habituada. Achamadina sua filha com Ogum, ao visitar o mercado em certa ocasião para comprar produtos vê sua mãe vendendo suas frituras como se estivesse viva, tomada pelo espanto corre até o pai em sua casa que não dá credibilidade alguma ao seu relato, dizendo: "Sua mãe é Egungum". Passados alguns dias, Achamadina retorna novamente ao mercado, enquanto Iemanjá estava distraída com as tarefas sua filha observou-a bem e dessa vez ficou totalmente convencida, sua mãe estava viva, não tratava-se de um Egum. Indo novamente ao mercado, desta vez acompanhada do pai Ogum que, entre surpresa e fúria ao se deparar com Iemanjá viva, arrasta-lhe pelo braço até a presença de Olorum, que ordenou que, daquele dia em diante, os mortos seriam sepultados no seio da terra.
Outras menções relacionando-a a guerra lhe associam um caráter implacável. Em outro relato, teria arrancado a cabeça de Ogum com um único golpe de espada, uma vez que este demonstra um comportamento covarde durante uma campanha bélica não bem-sucedida, assustando-se durante o sono até mesmo com barulho de sapos ou rãs.
Há um outro relato de infidelidade de Iemanjá quando casada com Ogum na santeria, tendo por amante Obaluaiê. O envolvimento amoroso de ambos teria sido descoberto pelos cães de Ogum, sempre fiéis. Noutras menções, ambos são, também, casados, no Brasil no entanto evidenciou-se um vínculo maternal entre Iemanjá e Obaluaiê, orixá das doenças e da cura, que teria sido criado como filho adotivo por ela após este ter sido abandonado por sua mãe Nanã, por ter nascido com o corpo coberto de feridas. Obaluaiê perdoaria a mãe biológica mais tarde, mas sem jamais abandonar Iemanjá que o criou. R. Prandi relata um mito que justificaria o título de Obaluaiê como Senhor das Pérolas (Jeholu) e a posse sobre este tesouro como presente de Iemanjá ao filho.
É também relatada uma união de Iemanjá com Erinlé (Odé Inlé), orixá caçador de elefantes considerado andrógino, que segundo Verger é cultuado num rio homônimo em Ijexá. Como, no Brasil, Erinlé confunde-se com Oxóssi, como manifestações de um mesmo princípio e este último é considerado filho de Iemanjá o assunto parece tabu, até verificarmos que Oxóssi ou Odé é de fato filho de Iá Apaocá, a jaqueira, e não da primeira.
Arquétipo
eleguns em Manifestação de Iemanjá no candomblé, no Ilê Axé Ijino Ilu Oróssi: a de verde é Asessu e a de azul, Açabá
Segundo R. Fonseca, o trato dos mitos iorubás na concepção de arquétipo pode nos auxiliar na interpretação dos modelos sociais, históricos ou místicos, que neles evidenciam-se. Na visão de Omari-Tunkara, "muitos traços de personalidades das deusas estão em conformidade com os atributos míticos de Iemanjá e suas variantes e, portanto, Iemanjá pode ser considerada um arquétipo." Tal arquétipo pode ser elucidado como a visão primordial do feminino esculpida na "Grande Mãe". S. Poli, focando nos padrões de comportamento faz uma comparativa do código moral de Ieiemouó (Yeyemowo) com Iemanjá, e conclui que não é possível negar que pode-se observar "(...)que vemos muito de mulheres que conhecemos ou mesmo de nossas mães neste mito", sendo que "Muito provavelmente por esse motivo tenha se tornado tão popular e amado entre nós na diáspora." Para A. Vallado, Iemanjá representa o arquétipo da mulher zelosa e generosa. Na interpretação de R. Fonseca, "Iemanjá nos fala de um precioso arquétipo feminino: o da mulher-mãe, daquela que concebe, alimenta e abriga os seus filhos. Esta mulher é fecunda e, por ser condescendente e conciliadora, ela é sistematicamente usurpada". Numa análise mais profunda, expõe:
"A relação de Iemanjá com os homens, nas lendas mais antigas, é a de distância física. Ela está sempre farta dos esposos, sempre fugindo deles ou, no mínimo, eles estão ausentes. Não há relatos ancestrais de amores ardentes e sensuais e seus companheiros aparecem apenas como os pais materiais de seus filhos, embora ela habitualmente conceba sozinha a sua prole. A relação de Iemanjá com os seus companheiros é de a parceria, de amizade, de comunhão e não de amor sexual. (...)Quanto ao último elemento das lendas de Iemanjá, podemos dizer que os seios da mulher contêm um duplo simbolismo. Primeiramente eles representam o princípio feminino, inequivocamente, a mãe, personificada em Iemanjá. Por outro lado, os seios femininos também materializam a proteção, o refúgio, o lugar de repouso. Na ideologia mortuária iorubá, morrer nas águas significa regressar à origem, ao conforto e abrigo do corpo sagrado da Mãe. Durante os duros séculos de escravidão moderna, a imagem da mãe, à qual os nagô imaginavam regressar após a morte, era a da Mãe África, o berço da cultura iorubá."
Essa primeira interpretação dos orixás a partir da psicologia analítica credita-se a P. Verger, que explora a ligação do povo de santo a uma identidade cultural definida por seres ancestrais, essa ligação ocorre, de acordo com R. Prandi, porque
"Os iorubás acreditam que homens e mulheres descendem dos orixás, não tendo, pois, uma origem única e comum, como no cristianismo. Cada um herda do orixá de que provém suas marcas e características, propensões e desejos, tudo como está relatado nos mitos. Os orixás vivem em luta uns contra os outros, defendem seus governos e procuram ampliar seus domínios, valendo-se de todos os artifícios e artimanhas, da intriga dissimulada à guerra aberta e sangrenta, da conquista amorosa à traição. Os orixás alegram-se e sofrem, vencem e perdem, conquistam e são conquistados, amam e odeiam. Os humanos são apenas cópias esmaecidas dos orixás dos quais descendem."
Nas palavras de Omari-Tunkara,
"O retrato composto de Iemanjá é de uma pessoa que é obstinado alternadamente, produtiva, inflexível, adaptativa, protetora, apaixonada, corajosa, altiva, e às vezes arrogante; possui um grande senso de posição e hierarquia de comando e respeito; é justa, mas formal; é uma amiga dedicada e frequentemente coloca amizades para teste; acha difícil perdoar uma ofensa e raramente esquece o erro. (...)É preocupada com os outros, é maternal, e séria. Apesar do fato de que a vaidade não é um traço saliente caracterizando Iemanjá, seus iniciados [filhos] amam o luxo, a ostentação de têxteis azul-e-branco ou verde-mar, e joias caras. Eles preferem estilos de vida suntuosos mesmo quando suas circunstâncias cotidianas não permitem-lhes tal luxo."
L. Cabrera também escreve sobre a suntuosidade dos filhos de Iemanjá mesmo quando pobres.
Culto
Para R. Ogunleye, um ponto importante para a compreensão do culto religião iorubá a Iemanjá é a observação quanto a sua pureza moral e ritual. Seu culto na Nigéria compreende diversas categorias, como o diário (privado), regular (celebra dias especiais que lhe são consagrados), especial, solicitado mediante determinadas situações ou ocorrências e anual como os seus festivais em Ibará e Ibadã.
O culto diário ou regular, é uma prática realizada pelo devoto em sua própria residência no santuário particular. Consiste em práticas em geral simples, que podem ocorrer na faixa da manhã como maneira de desejar bom dia ao orixá, e fazer-lhe oferendas como obis e com o mesmo repartido conferir através de um simples ritual se a procedência do dia será ou não boa. O culto regular tende a ser mais elaborado que o primeiro, ocorrendo a cada cinco dias, inclui a visitação ao templo por parte de uma comunidade de devotos, com arrumação do santuário, oferendas, sacrifícios e outros ritos litúrgicos. Segundo R. Ogunleye, "Neste ponto, a alta sacerdotisa (Iaji) vai assumir, levando-os em oração ritual para deusa. Durante este tempo, ela vai oferecer sacrifícios à deusa. Isso inclui milho processado (Ebó), farinha de feijão branco (ecuru), caracóis, cana-de-açúcar, e nozes de cola. Depois disso, ela vai fazer petições com os nomes dos fiéis para o orixá. Em seguida, eles se separaram e arrematam a noz de cola (obi). Se tudo estiver bem pelo presságio, todos ficam felizes e todos eles dançam na presença de Yemoja".
O culto especial ou ocasional pode ocorrer pelos mais diversos motivos, inclusive por solicitação de Iemanjá para uma pessoa específica ou família. Serve como base para pessoas que desejam adentrar em novos empreendimentos ou iniciativas, para bençãos às crianças, como também solicitar prosperidade, vitória em causas ou sobre inimigos e qualquer outra situação ou adversidade na vida. A última forma de culto é o Odum Iemanjá (Odun Yemojá), a festividade anual, "É uma ocasião para regozijo e gratidão. o que distingue adoração durante o festival anual é o programa elaborado conectado com a celebração. As pessoas vêm no seu melhor e dar o seu melhor. A celebração ocorre normalmente no santuário de Iemanjá. As ofertas são principalmente para ação de graças, e as refeições constituem uma oportunidade para a comunhão entre a deusa e seus 'filhos'", explica Ogunleye.
Diversas representações na arte e em práticas rituais em sua homenagem são alguns dos componentes mais comuns dos sistemas religiosos derivados da sociedade iorubá em outras partes da América do Sul, Estados Unidos, e no Caribe. Neste contexto, a veneração de Iemanjá é transcultural e internacional. No Brasil e além, o carisma de Iemanjá ultrapassou as fronteiras que demarcam religião, classe social, etnia e raça para abraçar todos.
Iemanjá sendo uma divindade possuidora de grande popularidade no Brasil e em Cuba é celebrada com grandes festas públicas, entre as quais se destacam o presente de Iemanjá na praia do Rio Vermelho na Bahia no dia 2 de fevereiro, e a festa no dia 8 de dezembro juntamente as festividades de Nossa Senhora da Conceição no Brasil. Em Cuba, suas festividades ocorrem no dia da Virgem de Regla, em 8 de setembro.
Segundo Omari-Tunkara, "Na Bahia, objetos de arte sacra, dança, rituais, e o transe são os meios fundamentais utilizados para comungar com os deuses e manipular o sagrado", Iemanjá assim como muitos orixás é representada por diversos objetos, comidas, ritmos, e músicas. É representada materialmente no candomblé e santeria pelo Ibá de Iemanjá, P. Verger menciona "Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. (...)Fazem-lhe oferendas de carneiro, pato e pratos preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola".
O ponto culminante do culto ao orixá ocorre com os seus iaôs ou eleguns mediante a possessão, onde "Iemanjá manifesta-se em seu adoxu ou Olorixá (termos genéricos para todos os iniciados capazes de experimentar o transe da possessão; médiuns)". Uma vez iniciado o processo de transe, entende-se todos os atos e comportamentos do elegum como sendo originados de seu orixá. Segundo Rouget, "A possessão é caracterizada pelo fato de que, durante o transe, o sujeito é entendido como ganhador de uma diferente personalidade: a da divindade, do espírito, do gênio ou do ancestral - pelo qual podemos usar o termo geral 'divindade' - que toma posse do sujeito, substituindo-se a ele, e atuando agora no lugar do sujeito (...) por um período maior ou menor, o sujeito torna-se a própria divindade. Ele é deus. Podemos chamar essa possessão no stricto sensu da palavra".
Durante esses fenômenos, o orixá manifestado apresenta-se respondendo corporalmente a canções que lhe são próprias entoadas por dirigentes do culto, e seguindo os ritmos que são de sua preferência, portam objetos que lhe são característicos, além de emitir pequenos gritos Ilá que lhe identificam conforme verificamos no estudo de R. S. Barbara, sendo que Iemanjá pode rir às gargalhadas ou gemer, como se estivesse chorando. Segundo Bastide, as danças religiosas na concepção africana "constituem a evocação de certos episódios da história dos deuses. São fragmentos de mitos, e o mito deve ser representado ao mesmo tempo que falado, para adquirir todo o poder evocador." Para R. S. Barbara a função da dança dentro da ritualística do candomblé é múltipla, sendo mimética e litúrgica, entendendo como mimética o ato de imitar os movimentos típicos do orixás e litúrgica por sinalizar e suturar todos os momentos do ritual até a expressão e manifestação mística do orixá, onde forma e conteúdo unem-se numa única dimensão, o próprio orixá...
A dança de Iemanjá reflete em maior parte sua personalidade ligada à maternidade, e seu elemento natural fluídico, a água, apresentando movimentos evocativos as ondas marinhas e de distribuição que representam, nas palavras de M. Augras, "germinação constantemente renovada". Seu ritmo predileto é o jincá, que significa "ombros", indicando danças reais de caráter mais lento e que estimulam respeito. P. Verger nos diz, "Na dança, suas iaôs imitam o movimento das ondas, flexionando o corpo e executando curiosos movimentos com as mãos, levadas alternadamente à teste e à nuca, cujo simbolismo não chegamos a identificar. Manifestada em suas iaôs, Iemanjá segura um abano de metal branco e é saudade com gritos de: 'Odô Ìá!!!' (Mãe do rio)". R. Prandi e M. Zenicola identificam que os movimentos não entendidos por Verger sejam referência ao seu domínio sobre o Ori no Brasil. F. Eramo acrescenta: "O ritmo é também parecido com o ritmo dos oceanos, e Iemanjá dança parecendo acariciar as ondas do mar. Além da leveza e ondulação da água, Iemanjá representa a fertilidade através de sua dança. Ela movimenta a pélvis ao dançar, símbolo da reprodução e germinação. Ao se olhar no espelho, ela representa a beleza, mas uma beleza calma e pacífica. Nas festas públicas observadas, os filhos de santo que incorporam Iemanjá dançavam com muita leveza, calma e sutileza". M. Zenicola relata outros movimentos curiosos: "Outro movimento é estender as mãos em posição que lembra estar implorando, ou melhor, esmolando por caridade e amor", e prosseguindo na sua análise afirma: "Na dança de Iemanjá não existem movimentos grandes, ampliados ou mesmo em alta velocidade, possivelmente como reflexo das características do orixá; os gestual das mãos lembra carícias na água, elemento do qual faz parte, empurrando-a para trás do corpo. Seu deslocamento é suave, ligeiramente contido, como se flutuasse ou caminhasse dentro da água". Na santeria apresenta danças vigorosas e com o dramatismo da influência da dança espanhola.
Durante suas manifestações, costuma utilizar diversos objetos ou ferramentas na cor prata, entre as quais se destaca o adé (coroa), abèbè (leque de metal com ou sem espelho), obé (espada, alfange ou faca) entre outros.
Sincretismo
Iemanjá, na cultura da diáspora, é, sobretudo, uma divindade sincrética, reunindo, em si, os diferentes atributos de outros orixás femininos das águas. Sua figura embasada no arquétipo da Grande-Mãe é promovida a Grande-Deusa, em especial pelo fato de que, no Brasil, tratando-se da divindade mais cultuada da Bahia, com grande prestígio popular, encontra seu par em Nossa Senhora da Conceição (no Rio Grande do Sul, Nossa Senhora dos Navegantes), ou mais especificamente na Virgem Maria, o que, segundo Verger, teria ocasionado uma equivalência de importância dentro do panteão iorubá, tornando-a a única do mesmo com um sincretismo iconográfico acabado. Tal sincretismo ocorreu devido ao culto entusiasmado dos orixás disfarçados de santos do catolicismo pelos escravos nas senzalas. A assimilação católica também observa-se em Cuba com o culto da Virgem de Regla, todavia vale ressaltar que em tal mimetismo em que o orixá se camuflou em uma divindade católica o mesmo não se corrompeu, nas palavras de Stella e M. Loddy, "Iemanjá é Iemanjá na Bahia, em Cuba ou no mais sincrético terreiro de umbanda". O mesmo sincretismo é um aspecto distintivo da cultura brasileira até a atualidade. No Brasil, seu culto também confundiu-se com o culto da Mãe-d'água, a Iara, o que justifica sua representação por vezes como sereia. Essa associação à sereia contrasta evidentemente com o lado maternal de Iemanjá na concepção africana, e em especial com a Virgem Maria pela demasiada sensualidade, mas não obstante também aparece no Vodu da Louisiana e Vodu haitiano, onde Iemanjá é associada à Lá Sirène e Mami Uata, espíritos das águas. Essa aglutinação com tais divindades evidencia-se na afirmativa de S. Otero e T. Falola que "Iemanjá e Oxum fazem parte de uma rede global de espíritos da água que muitos estudiosos, especialmente Henry John Drewal, trouxeram sob a égide Mami Uata. Seja em Serra Leoa, Congo, Togo, em Ibo na Nigéria, [como] Lasiren no Haiti, Santa Marta Dominadora na República Dominicana (...)os espíritos (divindades, energias, forças cósmicas) compartilham algumas semelhanças notáveis". Em Candomblés da Bahia E. Caneiro confunde Iemanjá com um inquice do Candomblé bantu Dandalunda, apresentando esta como um dos nomes da primeira, essa identificação das duas divindades costuma aparecer com certa frequência.
Qualidades e Avatares
Segundo A. Vallado, "qualidade" é o termo que designa as múltiplas invocações ou avatares de um mesmo orixá. Também é, por vezes, chamado de "caminho", como observamos no esclarecimento apresentado por L. Cabrera de que "não existe mais do que uma única Iemanjá, uma só, com sete caminhos". Muitas dessas qualidades parecem tratar-se de outras divindades, como explora S. Poli, o que também se apoia em E. Ramos com a tese de assimilação dos orixás de povos subjugados ao orixá patrono do povo conquistador em conflitos na África. Também pode ocorrer em referência a uma determinada localidade ou o segmento de um mesmo orixá mas com pequena diferenciação, o que individualiza esse como sendo uma qualidade.
Yemowô ou Yeyemowo
Na África, é mulher de Oxalá, sendo citada por Verger como sendo qualidade de Iemanjá. S. Poli, no entanto, a apresenta como divindade distinta.
Iemanjá Açabá
Açabá, Iyásabáé, Ayabá ou simplesmente Sabá é a mais velha que foi casada com Orumilá e o desafiou, sua palavra sempre é acatada por Ifá. É considerada perigosíssima, ela é manca e lhe é característico utilizar de uma correntinha de prata no tornozelo, é descrita por Verger como estando sempre fiando algodão. Roger Bastide a confunde como qualidade mais nova e a Ogunté credita o porte de mais velha.
Iemanjá Asessu
Também conhecida por Sessu, é muito voluntariosa e respeitável, sendo a mensageira de Olocum vai no esgoto e latrinas, sendo particularmente muito séria. Apresenta certos problemas psicológicos como esquecimento. Recebe suas oferendas na companhia dos eguns, come pato.
Iemanjá Ogunté
É a que foi casada com Ogum Alabedé (Ògún Alagbedé) ou Alaguedé e mãe de Exu, Ogum Acorô (Ògún Akoro) e Ibo (Igbo). Vallado menciona que, diferentemente de Sessu, ela não apazigua Ogum, participando das guerras diretamente com ele, conforme retratado nos mitos registrados por L. Cabrera. Possuindo espírito guerreiro, "é uma temível amazona", violenta, muito severa e rancorosa. Apresenta-se como jovem senhora com imponência e ar desafiador, portando uma espada. Vive na mata virgem e gosta de dançar com um majá (serpente que vive nas matas em Cuba) envolto nos seus braços. Respeitável feiticeira, lhe pertencem os corais e a madrepérola. Devido a sua ligação com Ogum, gosta de arroz com feijão preto, ao invés de arroz simples.
Procissão de Iemanjá em Ibadã, Nigéria
Em Ibadã capital do estado de Oyo permanecem cultos e celebrações de Iemanjá como deusa padroeira, sendo reverenciada no antigo templo conhecido como Popô-Iemanjá. Em seu cortejo anual celebram-se quatro aspectos que para A. Folarin enfatizam a importância do orixá e de sua liturgia, "Ela simboliza o poder da maternidade e princípios feminino, ela é a geradora do panteão do mundo iorubá; escultura tradicional que descreve ela geralmente mostra seios e quadril voluptuosos, retratando mulheres de poder e graça. A segunda é a função sociológica que gera durante a época festiva. O terceiro é o fervor espiritual ou cosmológico que transparece na celebração. Geralmente, há esse sentimento de transcendência, abrindo o coração e a mente para o mais alto ser espiritual. A quarta e mais importante é que ela é reverenciada muito bem como uma deusa da fertilidade".
Seu templo, construído com barro de acordo com a arquitetura tradicional iorubá, é descrito por A. Folarin como rodeado com uma varanda de colunas de madeira esculpidas e policromadas em vigor stacatto, e suas paredes são decoradas com motivos de peixes, samambaias, lírios de água, tartarugas e caracois. O cortejo que compreende três dias de cantos e dança tem, como ponto culminante, o momento em que a estátua de Iemanjá em madeira é levada em uma notável procissão de seu templo Popô-Iemanjá para o palácio real de Olubadã, onde ocorrem danças por alguns minutos, e a procissão segue para Ojá-Obá onde uma multidão em júbilo aguarda a sua chegada, entoando cânticos em honra do orixá. A. Folarin também enaltece que a multidão tomada pela euforia grita e dança em honra da mãe de todos com a saudação "Iyá O!".
Em África, Iemanjá é senhora de traços negros com formas bem evidenciadas e seios muito volumosos, por vezes representada grávida. R. F. Burton menciona: "Ela é representada por um pequeno ídolo com a pele de um amarelo desbotado. Tem os cabelos azuis, usa contas brancas e uma roupa listrada". P. Baudin e outros autores também nos apresentam a mesma descrição. Omari-Tunkara é primorosa em sua descrição: "Suas imagens contemporâneas são esculturas em madeira pintada a esmalte que geralmente retratam uma mulher com seios muito grandes amamentando um ou mais filhos e, muitas vezes cercada por outras crianças. As esculturas figuram o papel de Iemanjá como mãe carinhosa, protetora, vigilante e agente de fertilidade. Um colar especial composto por várias vertentes de pequenas miçangas de cristal claro atadas por dois ou três contas maiores em vermelho, branco e azul veneziano serve como um símbolo de Iemanjá em Ibará e está representado nas esculturas que se conformam em grande estilo para o cânone iorubá típico." S. Epega escreve: "Suas estátuas enfatizam o aspecto da maternidade. Ela é uma mulher tranquila, com grande ventre túrgido, seios imensos, pés bem plantados no chão, pondo as mãos sobre crianças". Essa iconografia, segundo Agbo Folarin, muito se assemelha às representações das tradicionais Máscaras-Epa de festejos tradicionais da Nigéria. Não há menções antigas de sua representação como peixe da cintura para baixo.
No Brasil nos âmbitos populares ocorreu uma aproximação entre a figura africana e a sereia europeia branca, com seus atributos de sedução e cantos enfeitiçadores, já confundida com a Iara, a Mãe d'Água. Até o século XIX encontramos representações de Iemanjá na Bahia como uma senhora, expondo seus grandes seios, não aludindo em nada a figura mitológica da sereia, no entanto neste mesmo século já nos é possível reconhecer representações que, fundem os atributos do orixá com a figura europeia.
Dessas representações, explica R. Antonio, "descendem os orixás de Carybé e Cravo júnior - embora Carybé que mais interessante, em termos estéticos, seja o desenhista, senhor do nanquim, conciso e elegante, tendendo a uma espécie de figurativismo quase-abstracionista. De outra parte, também o geometrismo trazidos pelos escravos - as formas abstratas ligadas direta ou indiretamente aos cultos religiosos - permanece vivo na criação plástica brasileira." Da influência de Angola temos também atributos de Quianda, L. C. Cascudo critica: "Quianda é a sereia marítima. Vive nas águas salgadas ao redor de Luanda e por toda orla do Atlântico angolano(...) Quianda é vista como uma pessoa humana, peixe grande e brilhante, sombra, ou unicamente a presença sensível mas invisível. Jamais como vemos no peji dos candomblés da Bahia; mulher até a cintura, peixe da cinta para baixo, o desinat in piscem mulier formosa superne, de Horácio. As serias angolanas são sempre pretas e as da Bahia sempre brancas, louras, olhos azul, espantosa reversão inexplicável para os descendentes de africanos escravos que pintavam de escuro as imagens dos Santos católico preferidos."
Esse sincretismo de ideias e artístico que observa-se por exemplo na escultura de Carybé, também é bem visível nas representações de qualquer ponto de Salvador, em oposição com a representação distinta da umbanda, especialmente nos estados da Região Sudeste do Brasil, que nos apresenta uma mulher de pele branca, com longos cabelos negros e lisos e roupa azul.
Referindo-se a essa nova manifestação da figura de Iemanjá, escreve Verger: "Ela é representada como uma espécie de fada, com a pele cor de alabastro, vestida numa longa túnica, bem ampla, de musselina branca com uma longa cauda enfeitada de estrelas douradas; surgindo das águas, com seus longos cabelos pretos esvoaçando ao vento, coroada com um diadema feito de pérola, tendo no alto uma estrela-do-mar. Rosas brancas e estrelas douradas, desprendidas de sua cauda, flutuam suavemente no marulho das ondas. Iemanjá aparece magra e esbelta, com pequenos seios e o corpo imponentemente encurvado."
Alguns autores atribuem que essa adaptação tenha surgido do sincretismo religioso com a figura de Nossa Senhora, já que, para os baianos, Iemanjá está ligada a Nossa Senhora da Conceição. Essa forma de representação persistiu em especial com a teledramaturgia, como na novela Porto dos Milagres, em que, em nenhum momento, a figura da Iemanjá branca, personagem que sutura silenciosamente a trama, cede a alguma representação negra. A imagem de Iemanjá totalmente branca viria a atender a devoção da umbanda, que, nos últimos anos, tem se espalhado pelo território nacional brasileiro, introduzindo essa nova percepção popular. T. Bernardo é bastante incisiva em sua pesquisa: "Monique Augras, em 1989, analisa a imagem de Iemanjá que já mostra ter sofrido um processo de moralização realizado pela umbanda. Mais precisamente, essa expressão religiosa parece dar sinais de haver uma transformação da imagem de Iemanjá em andamento. Em 1991, Pedro Iwashita publicou Maria e Iemanjá: análise de um sincretismo. Ao estudar as duas deusas, mostrou que são duas faces do mesmo arquétipo. No entanto, provavelmente para não parecer racista, não confronta Maria diretamente com Iemanjá, mas interpõe uma terceira deusa, Ísis, a grande mãe do Egito antigo, distante da realidade aqui tratada e, portanto, figura neutra para o debate atual".
A gradação da "cor da pele" dos orixás "reflete a miscigenação racial da população que os cultua e o movimento de 'abrasileiramento' da religião. Outra interpretação da concepção do orixá, mais radical quanto à desvinculação entre a origem racial, de cor de pele e os deuses, é aquela que pensa os orixás como forças da natureza", apontam M. Moura e J. B. Santos, e acrescentam, "Nesta concepção, Iemanjá é o mar, Oxum os rios, Iansã os ventos(...)", aqui fazem alusão a uma nova concepção brasileira do orixá como divindade panteísta e não de culto ancestral, o que justificaria a perda de seus traços étnicos.
Iemanjá e a Música Popular Brasileira
Iemanjá, além da Bahia e dos candomblés, com as práticas de seu povo e sua religiosidade, dos temas da vida árdua litorânea e do cotidiano dos pescadores, no cenário da música popular brasileira, já é presente em letras de canções desde os primórdios da radiodifusão em alguns de seus versos mais líricos. Podemos citar É Doce Morrer no Mar (1943) e Quem vem pra Beira do Mar (1954) de Dorival Caymmi. Caymmi demonstra profunda devoção ao orixá em Dois de Fevereiro (1957), título que refere-se ao seu grande festejo na Bahia na praia do Rio Vermelho, considerado por Jorge Amado como o único que se poderia considerar descendente espiritual de Castro Alves, sendo mencionado na obra de louvores a este último como "Poeta de negros pescadores, de Iemanjá e dos mistérios pobres da Bahia(...)". Em Bahia de Todos-os-Santos, Jorge Amado nos revela mais da natureza dessa relação de Caymmi com Iemanjá: "A música religiosa do negro baiano, com suas promessas a dona Janaína, com suas superstições e sua intimidade com os deuses, ele a recuperou para nós do abandono em que estava desaparecendo, abandono que não se explica como tanta coisa não se explica no Brasil. Muitas de suas canções são dedicadas a Iemanjá, deusa das águas da Bahia, música de pescadores, da praia e do mar, canções que formam a parte mais poderosa e permanente de sua obra, a maior de toda a música popular brasileira." R. Antonio abordando o contexto em torno de Iemanjá da primeira metade do século XX, complementa: "(...) Caymmi, na década de de 1930, cantando uma canção para Iemanjá. Em muitos lugares do Brasil e para muitas plateias, naquela época, a canção soou de modo algo obscuro, não de todo compreensível. Havia, ali, estranheza, uma face não iluminada, misteriosa. Porque as pessoas, sem dominar por completo a dimensão referencial da mensagem, não tinham como decodificá-la por inteiro. Mas, com o tempo - com a crescente visibilidade da cultura negromestiça (sic) em nosso país; com a entronização dos orixás no mundo da assim chamada 'cultura superior' -, tudo mudou. A canção se tornou universalmente clara para os brasileiros."
No Afrosambas (1966), trabalho de Baden Powell e Vinícius de Moraes com regência e arranjo de César Guerra-Peixe, um dos mais representativos da discografia brasileira, que foi um divisor de águas, aparece, em Canto de Iemanjá, uma das diversas faixas que fazem alusões a divindades do candomblé. No mesmo ano, é figura central em Beiramar opus 21b, do compositor Marlos Nobre, ciclo composto por três canções populares, duas delas ligadas diretamente a Iemanjá: Estrela do Mar e Iemanjá Ôtô. Na voz de Ely Camargo, considerada uma das mais agradáveis e bem timbradas a serviço da música popular brasileira, foi reverenciada em Yemanjá (Paulo Ruschell) no disco Canções da minha terra - Volume 4 (1964), e em Mamãe Iemanjá (Guerra-Peixe) no disco Outras Canções de Minha Terra (1967).
Na voz de Clara Nunes, foi romantizada em Conto de Areia (1974), música de Romildo Bastos e Toninho Nascimento, uma entre tantas outras do cancioneiro popular brasileiro que reverenciam Iemanjá. Na telenovela brasileira Porto dos Milagres (2001), é tema de abertura na canção Caminhos do Mar, interpretada por Gal Costa.
Cinema e Teledramaturgia
Suas aparições no cinema brasileiro são dramáticas. Vale destaque o filme Barravento (1962), dirigido por Glauber Rocha, com sua retratação crítica ao misticismo religioso popular. O filme retrata o papel e os dilemas de uma figura masculina escolhida por Iemanjá em uma pequena aldeia de pescadores. Este personagem emblemático deveria seguir uma vida celibatária para não ofender a muito ciumenta divindade, vindo a felicidade e estabilidade do pequeno povoado a depender dessa relação. O filme explora o aspecto possessivo e vingativo do orixá, que causaria a morte da mulher que se deitasse com o seu protegido. Em Noites de Iemanjá (1971), o filme dirigido por Milton Barragan alcança um diálogo com a platéia a partir de elementos bem sucedidos popularmente como mistério, erotismo e folclore, apresenta uma personagem enigmática numa trama cercada por mortes, este arquétipo de femme fatale associado a figura de Iemanjá em referência às sereias mitológicas já evidenciava-se em estudos como o de Edson Carneiro. Em Espaço Sagrado, (1976) documentário realizado na Bahia, o diretor Geraldo Sarno, que apresenta o candomblé e suas práticas dentro do espaço sagrado, retrata o ato de uma oferenda a Iemanjá. Em O Escolhido de Iemanjá (1978), com direção de Jorge Durán, é invocada como intercessora de uma comunidade pobre através dos terreiros e seu escolhido, o Comandante Nelson, no conflito contra Gangsters imobiliários. Deste mesmo ano há também o curta-metragem Dia de Iemanjá, dirigido por Lula Oliveira. Vale destaque A Filha de Iemanjá (1981) com direção de Milton Barragan e a atuação de Mary Terezinha como protagonista, onde Iemanjá é representada através da personagem que se diz sua filha, que ressurge ao final do Longa-metragem para o marido e a filha na praia.
A importância cultural e social de Iemanjá, segundo M. C. Azevedo, cresce na sociedade brasileira surgindo com frequência em novelas, estas de acordo com uma publicação de Resistência, documentam a "análise de almas trágicas, abeberadas de sonhos, traçando destinos opostos, construindo quimeras logo destruídas pela realidade abismática de vida". Em A Indomada (1997) telenovela dirigida por Marcos Paulo que extrapola em alegorias, a personagem Eulália interpretada por Adriana Esteves, surge das águas como em referência à Iemanjá. Vale destaque Porto dos Milagres (2001), livre adaptação de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares do livro Mar Morto de Jorge Amado, com música-tema dedicada à Iemanjá na voz de Gal Costa. A história do livro era muito curta para uma novela, mas como a Rede Globo possuía os direitos do livro decidiu fazer a adaptação. A telenovela demonstrava a forte influência de culto de Iemanjá e as práticas do candomblé, o que causou uma repercussão negativa entre telespectadores evangélicos e católicos.
Em representações em minisséries podemos citar O Canto da Sereia (2013) com direção de José Luiz Villamarim e Ricardo Waddington, baseado no livro de mesmo nome de Nelson Motta.
No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras e até por membros de religiões distintas. Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de fevereiro, a maior festa do país em homenagem à "Rainha do Mar". A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até o templo mor, localizado no bairro Rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados. Todavia, na cidade de São Gonçalo, os festejos acontecem no dia 10 de fevereiro.
Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro e em todo litoral brasileiro. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar, oferendas para a divindade. A celebração também inclui o tradicional "banho de pipoca" e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à orixá. Na umbanda, é considerada a divindade do mar.“
Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.”
No ano de 2008, dia 2 de fevereiro, a Festa de Iemanjá do Rio Vermelho, na Bahia, coincidiu com o carnaval. Os desfiles de trios elétricos foram desviados da região até o fim da tarde, para que as duas festas acontecessem ao mesmo tempo.
Antecedendo o réveillon de 2008, devotos da orixá das águas estiveram nesse momento, com suas preces dirigidas a um arranha-céus, em forma de um monólito negro, na Praia do Leme, em Copacabana, onde era costume, no último minuto do ano, surgir uma cascata de fogo, no topo desse monólito, iluminando o entorno bem como as oferendas. Todo réveillon, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, milhares de pessoas se reúnem para cantar e presentear Iemanjá, jogando presentes e rosas no mar.
Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de "sincretismo" encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadmissíveis tais "manifestações pagãs" em suas propriedades. Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a "Janaína do Mar" e como canções litúrgicas.
Pela primeira vez, em 2 de fevereiro de 2010, uma escultura de uma sereia negra, criada pelo artista plástico Washington Santana, foi escolhida para representação de Iemanjá no grande e tradicional presente da festa do Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia, no Brasil, em homenagem à África e à religião afrodescendente.
Festas
Uma das maiores festas ocorre em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. No mesmo estado, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira-mar na Bahia: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat, em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína.
Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.
Festa do Rio Vermelho
A tradicional Festa de Iemanjá na cidade de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais.
A festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de candomblé e umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.
Porto Alegre
A Festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Porto Alegre é a maior festa religiosa da cidade brasileira do sul do Brasil, e homenageia Nossa Senhora dos Navegantes e seu sincretismo afro-brasileiro. É realizada no dia 2 de fevereiro de cada ano desde 1870. Originalmente, constava de uma procissão fluvial, com embarcações que singravam o Lago Guaíba desde o cais do porto, levando a imagem da santa do Centro da cidade até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Hoje, por determinação impeditiva da Capitania dos Portos, a procissão é terrestre, levando a imagem desde a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Centro da cidade, até a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Os organizadores da festa consideram que esta é a segunda maior romaria religiosa do País, ficando atrás apenas do Círio de Nazaré realizada em Belém do Pará. Com uma grande participação popular tanto na realização da festa, como nas comemorações
Angola
Em Angola, existe a crença na divindade que se chama Quianda (ou Duandalunda), equivalente a Iemanjá, protetora dos pescadores e rainha das águas. Faz-se, todo ano, a Festa da Quianda em bairros praianos de Luanda, e na lagoa do Ibendoa, na província de Bengo. É feita juntamente com a Procissão de Nossa Senhora do Cabo, que possui forte relação sincrética.
Uruguai
Em Montevidéu, fiéis se reúnem na praia de Ramirez no bairro Parque Rodó a cada 2 de fevereiro para celebrar o Dia de Iemanjá. Centenas de milhares de pessoas se sentam à espera do pôr do sol antes de lançar pequenos barcos com oferendas para o oceano.
Em 2015, o governo uruguaio estimou que 100 000 pessoas visitaram a praia para as celebrações.
Cuba
Em Cuba, as celebrações realizam-se todos os anos no dia 7 de Setembro. Yemayá também tem as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de Regla e faz parte da santería como santa padroeira dos portos de Havana. Lydia Cabrera fala em sete nomes igualmente, especificando que apenas uma Iemanjá existe, à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar onde ela se encontra.
Na santeria, Iemanjá é a mãe de todos os seres vivos, bem como a proprietária dos oceanos e mares.
